No próximo dia 27 de maio, Tubarão viverá uma coincidência rara e simbólica. Enquanto a cidade celebra seus 156 anos de emancipação, comerciante, pintor e escritor Lindomar Cardoso Tournier comemora 104 anos de vida lançando sua 21ª obra literária, “Herotídes – Orgulho e Redenção”, no Café Cultura do Farol Shopping.
Reconhecido oficialmente como o escritor mais velho em atividade no mundo, Lindomar carrega uma trajetória que atravessa praticamente toda a história moderna da Cidade Azul. Sua vida mistura comércio, arte, literatura e memória cultural, transformando-o em uma das personalidades mais emblemáticas de Tubarão.
Fundador e ocupante da cadeira número 14 da Academia Tubaronense de Letras, ele publicou 20 livros ao longo da vida. Sua obra “A Carta” foi lançada quando completou 100 anos. Já “Consanguíneos”, considerado seu vigésimo livro, teve lançamento no Museu Willy Zumblick, outro símbolo da cultura tubaronense.
Agora, com “Herotídes – Orgulho e Redenção”, Lindomar amplia um legado construído ao longo de décadas de dedicação à escrita.

Comerciante, pintor e guardião da memória de Tubarão
Muito antes do reconhecimento literário, Lindomar Tournier já era conhecido pelos moradores como comerciante tradicional de Tubarão. Durante anos, foi proprietário de uma farmácia no centro da cidade, acompanhando de perto o crescimento urbano e econômico do município.
Sua relação com Tubarão, porém, nunca ficou restrita ao comércio.
Além da literatura, Lindomar também se dedicou à pintura. Suas telas retratam cenas urbanas e momentos do cotidiano da cidade ao longo dos últimos 100 anos. Ruas antigas, hábitos da população, paisagens urbanas e personagens históricos aparecem em obras que ajudam a preservar visualmente a memória tubaronense.

Sua arte funciona como um arquivo afetivo da cidade.
Ao longo das décadas, Lindomar testemunhou as transformações econômicas, culturais e sociais de Tubarão. Mais do que observar, registrou parte dessa história em livros e pinturas.

Tubarão: uma das cidades históricas mais importantes de Santa Catarina
Emancipada por carta régia em 27 de maio de 1870, Tubarão consolidou-se como uma das cidades mais importantes do Sul de Santa Catarina. Conhecida como Cidade Azul, o município cresceu impulsionado pelo comércio, pela ferrovia e pela força econômica regional.
A cidade tornou-se referência para dezenas de municípios vizinhos, especialmente no varejo e na prestação de serviços. O comércio forte ajudou a formar uma identidade empreendedora que permanece até hoje.
Nas últimas seis décadas, Tubarão também ganhou destaque como polo de ensino superior, atraindo estudantes de diversas regiões catarinenses e fortalecendo seu papel regional na educação. Com a educação superior, a cidade foi transformada em um polo em saúde, fato que atrai médicos renomados para a cidade.
Mas é na cultura que a cidade talvez encontre um de seus traços mais marcantes.
A terra de Willy Zumblick e da valorização cultural
Tubarão é reconhecida nacionalmente como a terra de Willy Zumblick, um dos maiores artistas catarinenses. Suas pinturas ajudaram a eternizar episódios históricos, costumes e paisagens do Sul do estado.
A tradição cultural criada por Willy também encontra continuidade em nomes como Lindomar Tournier.
Enquanto Zumblick registrava a história da região em grandes telas, Lindomar construiu sua própria contribuição cultural entre livros e pinturas, mantendo viva a memória da cidade em diferentes formas de expressão artística.
Para o jornalista, escritor e membro da Academia Tubaronense de Letras, Ramires Linhares, o município deve reconhecer a importância histórica do autor.
“Tubarão, que já é a terra de Willy Zumblick, tem que se orgulhar muito de também ter entre seus grandes artistas o escritor Lindomar Cardoso Tournier. Sua trajetória no mundo das letras nos inspira e enobrece. Seu nome já faz parte de nossa cultura e de nossa história”, afirma.
Um símbolo vivo da identidade tubaronense
A história de Lindomar Cardoso Tournier se confunde com a própria história de Tubarão. Sua trajetória representa valores que ajudaram a construir a cidade: trabalho, cultura, empreendedorismo e preservação da memória.
Ao lançar sua 21ª obra aos 104 anos, no mesmo dia em que Tubarão celebra 156 anos, o autor transforma o evento em algo maior do que um simples lançamento literário.
A ocasião se torna também uma celebração da cultura local, da longevidade intelectual e da capacidade de uma cidade preservar suas histórias através das pessoas que ajudaram a construí-la.


