O consumo de pescados na Páscoa deve crescer cerca de 20% em 2026 no Brasil, impulsionado pela tradição da Quaresma e pela busca crescente por alimentação saudável. A estimativa é da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes) e reflete mudanças no comportamento do consumidor.
Durante a Quaresma, período que antecede a Páscoa, é comum a substituição de carnes vermelhas por peixes. Nos últimos anos, no entanto, esse hábito passou a ser reforçado também por fatores como saúde e qualidade alimentar.
Dados da Associação Paulista de Supermercados (APAS) indicam que 59% dos consumidores brasileiros priorizam produtos mais saudáveis, sinalizando um novo perfil de consumo mais atento à composição dos alimentos e seus impactos no organismo.
Produção nacional acompanha aumento da demanda
O crescimento do consumo de pescados na Páscoa também acompanha a expansão da produção nacional. Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo, consolidando a evolução do setor aquícola.
Esse avanço ajuda a ampliar a oferta no mercado interno e contribui para manter o abastecimento durante períodos de maior demanda, como a Páscoa e outras datas sazonais.
A combinação entre maior produção e mudança no comportamento do consumidor fortalece a cadeia produtiva do pescado em todo o país.
Supermercados ampliam oferta e investem em qualidade
No varejo, redes supermercadistas têm adaptado suas estratégias para atender consumidores mais exigentes. Em Santa Catarina, o Bistek Supermercados tem investido na ampliação do setor de pescados, com foco em variedade, frescor e qualidade.
Segundo o supervisor geral de Frios e Açougue da rede, Paulo Roberto dos Passos Gava, a Quaresma é um dos períodos mais relevantes para o segmento. “O faturamento com pescados mais que dobra em relação a um mês comum, com aumento de cerca de 100% nas vendas. Para este ano, projetamos um crescimento de 40% em relação ao mesmo período do ano passado”, afirma.
A rede aposta em duas frentes principais: pescados congelados e frescos. Na linha de congelados, trabalha com fornecedores e com a marca própria “Armazém do Mar”, que reúne cerca de 25 produtos entre peixes e crustáceos, embalados em Nova Veneza (SC) e distribuídos para 28 lojas.
Já os pescados frescos contam com abastecimento frequente. A tilápia é entregue três vezes por semana, enquanto o salmão chega semanalmente do Chile. O portfólio inclui ainda camarões, tainha, anchova e outros produtos sazonais.
Mix diversificado e produtos premium ganham espaço
Outro destaque é a diversificação do mix, com produtos premium e importados voltados a consumidores interessados em experiências gastronômicas.
Entre os itens disponíveis estão espécies como côngrio chileno, pescada amarela, lulas de diferentes origens, camarão carabineiro e vieiras canadenses. No total, a rede trabalha com cerca de 60 tipos de pescados.
A estratégia inclui ainda a oferta de porções menores, facilitando o acesso a produtos diferenciados e incentivando o preparo em casa.
“Existe um público que busca experimentar novos ingredientes e que valoriza a experiência culinária. Trabalhamos para atender essa demanda com qualidade, frescor e novidades constantes”, destaca Gava.
Setor ainda tem potencial de crescimento
Apesar do avanço recente, o setor de pescados ainda é visto como uma oportunidade de expansão no varejo brasileiro.
“Historicamente, foi uma categoria pouco explorada pelos supermercados. Hoje, investir em qualidade, frescor e sortimento deixou de ser um diferencial e passou a ser uma questão de sobrevivência”, avalia o executivo.
Além da Páscoa, iniciativas como a Semana do Pescado, realizada no segundo semestre, também contribuem para impulsionar as vendas ao longo do ano.
A tendência, segundo o setor, é de que o consumo de pescados continue em alta, impulsionado pela combinação entre hábitos tradicionais e maior conscientização alimentar.
Sobre o Bistek Supermercados
Fundado há 47 anos em Nova Veneza (SC), o Bistek Supermercados é uma das redes mais conhecidas do Sul do Brasil. A empresa conta com 28 lojas — sendo 22 em Santa Catarina e seis no Rio Grande do Sul — e mais de 5,5 mil colaboradores.
Para 2026, a rede projeta faturamento de R$ 3,2 bilhões. A estrutura inclui um centro empresarial, centro de distribuição com 23 mil metros quadrados às margens da BR-101 e frigorífico próprio.


