Fiéis de todas as regiões de Santa Catarina acordaram ainda durante a madrugada desta quinta-feira (4) para manter viva uma das mais tradicionais manifestações da fé católica: a confecção dos tapetes de Corpus Christi. Feitos com areia, serragem colorida, flores, tecidos e outros materiais, os desenhos tomaram ruas e praças em dezenas de municípios catarinenses, reunindo milhares de voluntários e celebrando a presença de Cristo na Eucaristia.
Do Norte à Capital e ao Extremo Sul, passando pelo Oeste e pela Serra, missas campais, procissões e atos religiosos marcaram uma das datas mais importantes do calendário litúrgico católico. Em diversas cidades, a celebração reuniu famílias inteiras em um trabalho coletivo que une fé, arte e tradição.
Tubarão reúne centenas de fiéis na Catedral Diocesana

Em Tubarão, a celebração teve como ponto central a Catedral Diocesana. Desde as primeiras horas do dia, integrantes das comunidades confeccionaram os tradicionais tapetes que serviram de caminho para a procissão do Santíssimo Sacramento.
A Santa Missa foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Adilson Busin, com a participação dos padres Eduardo Rocha, Márcio Martins e William Fernandes. Após a celebração, os fiéis seguiram em procissão pelas ruas próximas à Catedral, percorrendo os tapetes preparados pelos voluntários.
Segundo o pároco da Catedral, padre Eduardo Rocha, Corpus Christi representa um momento único para os católicos.
“Este é o único dia em que a Igreja permite que saiamos com o Santíssimo Sacramento pelas ruas. É um testemunho público da nossa fé e uma oportunidade para que Cristo abençoe nossas cidades e nossas famílias”, destacou.
Celebrações ocorreram nas maiores cidades catarinenses

Em Florianópolis, a programação reuniu milhares de fiéis na Catedral Metropolitana. A confecção dos tapetes começou pela manhã na Praça XV de Novembro, seguida de missa campal presidida pelo arcebispo metropolitano Dom Wilson Tadeu Jönck e procissão pelo Centro Histórico. A Arquidiocese de Florianópolis organizou celebrações em dezenas de paróquias distribuídas por cerca de 30 municípios.
Em Joinville, comunidades de diversas paróquias participaram da elaboração dos tapetes, transformando ruas centrais em verdadeiros corredores de arte sacra. A programação incluiu missas e procissões que reuniram grande número de fiéis.
Blumenau também manteve a tradição. Voluntários trabalharam desde a madrugada na produção dos tapetes em frente à Catedral São Paulo Apóstolo e em outras paróquias da cidade, preparando o percurso para as celebrações religiosas.
No Sul do Estado, Criciúma reuniu milhares de participantes em celebração presidida pelo bispo Dom Jacinto Inacio Flach. Após a missa, os fiéis percorreram ruas ornamentadas por tapetes confeccionados por pastorais, movimentos e comunidades paroquiais.
Em cidades como São José, Palhoça e Itajaí, a tradição também mobilizou comunidades inteiras. Igrejas e paróquias organizaram mutirões para a produção dos tapetes e promoveram procissões ao longo do dia, reforçando uma prática que atravessa gerações.
Já em Chapecó e Lages, no Oeste e na Serra Catarinense, respectivamente, as celebrações reuniram fiéis em missas especiais e procissões que percorreram os centros urbanos, demonstrando a força da tradição católica em diferentes regiões do Estado.
Tradição atravessa séculos

A tradição dos tapetes de Corpus Christi tem origem portuguesa e chegou ao Brasil durante o período colonial. Os desenhos representam passagens bíblicas, símbolos religiosos e mensagens de fé, formando o caminho por onde passa a procissão com o Santíssimo Sacramento.
Além do significado religioso, a prática fortalece os laços comunitários. Em muitas cidades, famílias inteiras participam da produção dos tapetes, transformando a celebração em um momento de encontro entre gerações.
Fé que une comunidades
Em Santa Catarina, Corpus Christi segue como uma das maiores demonstrações públicas da fé católica. A mobilização observada em cidades como Tubarão, Florianópolis, Joinville, Blumenau, Criciúma, Chapecó, Lages, Palhoça, São José e Itajaí mostra que a tradição continua viva, preservando valores religiosos, culturais e comunitários.
Mais do que uma celebração litúrgica, o dia foi marcado por gestos de devoção, solidariedade e união, refletidos nos tapetes coloridos que transformaram as ruas catarinenses em verdadeiras obras de arte da fé.


