O fenômeno climático El Niño deve atingir Santa Catarina mais cedo do que o previsto em 2026, com sinais já a partir de julho, ainda durante o inverno. A projeção foi apresentada por especialistas no Fórum Climático Catarinense, que reúne órgãos de monitoramento e pesquisa do estado.
Inicialmente esperado para a primavera, o fenômeno está se desenvolvendo de forma mais rápida e tem mais de 80% de probabilidade de se estabelecer entre junho e agosto.
Fenômeno deve trazer mais chuva e menos frio
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Quando esse aquecimento supera 0,5°C e persiste por meses, provoca alterações no clima global.
Em Santa Catarina, os efeitos mais comuns incluem aumento das chuvas e temperaturas mais elevadas para a época. Para este inverno, a tendência é de precipitações mais frequentes e períodos de frio menos intensos.
Apesar disso, especialistas alertam que a ocorrência de eventos extremos não é garantida.
“Um El Niño forte não implica necessariamente em eventos extremos, mas torna a atmosfera mais favorável a essas ocorrências”, explicou a meteorologista Nicolle Reis, da Defesa Civil estadual.
Mudanças no tempo começam a partir de junho
Até maio, o estado ainda deve registrar chuvas irregulares e volumes abaixo da média. A mudança mais significativa no padrão climático está prevista para junho, quando aumentam as instabilidades.
A expectativa é que os volumes de chuva superem a média histórica, que varia entre 100 mm e 150 mm nos meses de junho e julho em grande parte do estado.
Também há previsão de temporais mais intensos ao longo do inverno, acompanhando o avanço do fenômeno.
Temperaturas terão variações, mas frio será menos frequente
Mesmo com a chegada de massas de ar frio a partir de maio, o inverno de 2026 deve ter episódios de frio mais curtos.
Junho ainda pode registrar mínimas abaixo de 10°C e máximas próximas de 20°C, mas com menor persistência de temperaturas baixas ao longo do trimestre.
Defesa Civil reforça monitoramento e prevenção
Diante do cenário, a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina intensificou ações de monitoramento e prevenção em todo o estado.
Atualmente, Santa Catarina conta com 172 estações meteorológicas e hidrológicas e quatro radares em operação. O quadro técnico também foi ampliado, com aumento de 25% na equipe de meteorologistas.
Além disso, foram realizados simulados e treinamentos com equipes municipais para melhorar a resposta a possíveis desastres naturais.
No Vale do Itajaí, uma das regiões mais afetadas por eventos climáticos, três barragens estão operacionais para contenção de cheias, incluindo a Barragem Sul, em Ituporanga, que passou por modernização recente.
População deve acompanhar alertas oficiais
O Fórum Climático Catarinense segue monitorando a evolução do El Niño nos próximos meses. A orientação é que a população acompanhe os canais oficiais da Defesa Civil para atualizações e possíveis alertas.


