A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou na manhã desta terça-feira (9) a Operação Falso Repasse, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de praticar fraudes eletrônicas e estelionatos na negociação de veículos de alto valor.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Combate a Estelionatos do Departamento de Investigações Criminais (DIC) de Joinville e resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão temporária e quatro mandados de busca e apreensão em Chapecó, no Oeste catarinense.
Investigação começou após prejuízo de R$ 200 mil
As investigações tiveram início após uma vítima de Joinville procurar a Polícia Civil para denunciar um golpe envolvendo a compra de um veículo elétrico de luxo.
Segundo a apuração, os suspeitos utilizavam redes sociais e grupos de mensagens para divulgar supostas oportunidades de aquisição de automóveis por meio de chamados “grupos de repasse”.
Em um dos casos investigados, a vítima demonstrou interesse na compra de um veículo elétrico modelo BYD Seal, anunciado por um valor muito abaixo do praticado no mercado.
Para convencer o comprador, os criminosos forneciam informações reais do automóvel, como:
- Placa;
- Chassi;
- Dados cadastrais do veículo.
Após exigirem o pagamento de um laudo cautelar e simularem a aprovação da vistoria, os suspeitos receberam uma transferência de aproximadamente R$ 200 mil.
Criminosos usavam desculpas para adiar entrega
Após receberem os valores, os integrantes do grupo passavam a apresentar justificativas para postergar a entrega do veículo.
Entre as alegações utilizadas estavam:
- Problemas com a Autorização para Transferência de Propriedade do Veículo (ATPV);
- Pendências burocráticas;
- Supostos atrasos no transporte por caminhão-cegonha.
De acordo com a Polícia Civil, os veículos anunciados não estavam disponíveis para venda nas condições oferecidas, caracterizando o golpe.
Grupo é investigado por fraudes em outros estados
A investigação da DIC de Joinville aponta que a associação criminosa possui histórico de atuação em diversas regiões do país.
Há indícios de golpes semelhantes praticados em estados como:
- São Paulo;
- Alagoas;
- Santa Catarina.
Segundo os investigadores, o grupo utilizava contas bancárias de passagem em nome de terceiros e empresas de fachada para movimentar e ocultar os valores obtidos ilegalmente.
O objetivo era dificultar o rastreamento dos recursos e a identificação dos responsáveis.
Operação contou com apoio de forças especializadas
A Operação Falso Repasse mobilizou equipes de diferentes unidades da Polícia Civil.
Participaram da ação:
- Diretoria de Polícia da Fronteira (DIFRON);
- 12ª Delegacia Regional de Polícia;
- Policiais do Programa Brasil contra o Crime Organizado, do Ministério da Justiça.
Os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados serão analisados e poderão contribuir para o aprofundamento das investigações.
A Polícia Civil segue apurando a extensão dos prejuízos causados pelo grupo e a possível existência de novas vítimas em outros estados.


