Santa Catarina chega a este 1º de outubro, Dia Nacional do Idoso e Dia Internacional das Pessoas Idosas, diante de uma transformação que afeta saúde, assistência social e planejamento das cidades. O estado já reúne mais de 1,18 milhão de moradores com 60 anos ou mais, segundo dados do Censo 2022.
São 1.184.393 catarinenses nessa faixa etária, o equivalente a aproximadamente 15,6% da população estadual. Os números mostram que discutir envelhecimento deixou de ser uma pauta voltada apenas ao futuro.
A mudança já está acontecendo e exige atenção para saúde, autonomia, proteção contra violência, acessibilidade, mobilidade e participação social.
Santa Catarina envelheceu rapidamente
O avanço fica ainda mais evidente quando se compara a população idosa com as faixas etárias mais jovens.
Em 2010, Santa Catarina tinha 48,2 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças de até 14 anos.
No Censo 2022, essa relação chegou a 83,2 idosos para cada 100 crianças.
A composição etária também mudou. Em 2022, 5,12% dos catarinenses tinham entre 60 e 64 anos. Outros 3,92% estavam entre 65 e 69 anos.
A participação era de 2,86% entre 70 e 74 anos, 1,78% entre 75 e 79 anos e 1,88% entre aqueles com 80 anos ou mais.
Somadas, essas faixas mostram o peso crescente da população idosa na estrutura demográfica catarinense.
Municípios do Oeste têm proporções ainda maiores
O envelhecimento, porém, não ocorre da mesma maneira em todas as regiões de Santa Catarina.
Dados apresentados na 6ª Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa mostram que municípios do Oeste e Extremo Oeste estão entre aqueles com as maiores proporções de moradores com 60 anos ou mais.
Em Alto Bela Vista, essa população representa 29,5% dos habitantes. Em Peritiba, são 26,9%.
Também aparecem com percentuais elevados Romelândia, com 26,4%; São Miguel da Boa Vista, com 26,2%; Barra Bonita, com 26%; e Ibicaré, com 25,9%.
No litoral e em áreas com maior crescimento populacional, há municípios com percentuais menores. A diferença mostra que políticas voltadas ao envelhecimento precisam considerar as características de cada região.
Envelhecimento pressiona saúde e assistência
O crescimento da população idosa amplia a necessidade de serviços preparados para acompanhar doenças crônicas, prevenir quedas, garantir vacinação, oferecer reabilitação e preservar a autonomia.
Mas o desafio não se limita à rede de saúde.
Cidades com maior participação de pessoas idosas também precisam pensar em transporte público, calçadas acessíveis, moradia, convivência comunitária, assistência social e inclusão digital.
A necessidade tende a crescer à medida que a população envelhece.
Para 2026, o Conselho Estadual do Idoso de Santa Catarina prevê entre suas ações a elaboração de diagnóstico sobre o perfil da população idosa e a manutenção de um banco de dados estadual para apoiar políticas públicas.
O planejamento também prevê ações de conscientização sobre direitos e garantias.
Violência contra idosos mobiliza rede de proteção
Um dos principais desafios é identificar e interromper situações de violência.
A pessoa idosa pode ser vítima de agressões físicas e psicológicas, negligência, abandono e violência patrimonial ou financeira.
Em junho deste ano, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina lançou uma cartilha específica sobre direitos da pessoa idosa e prevenção à violência.
O material também chama atenção para riscos financeiros, como golpes, endividamento e contratação excessiva de empréstimos consignados.
Entre os canais indicados para buscar ajuda estão delegacias, Ministério Público, Conselhos da Pessoa Idosa, Defensoria Pública, CRAS e CREAS.
Em Santa Catarina, o Ministério Público também utiliza o Protocolo de Rede Intersetorial de Atenção à Pessoa Idosa em Situação de Violência (PISC).
A ferramenta auxilia profissionais da rede de proteção na identificação de situações de violência, negligência e abandono e na organização dos encaminhamentos necessários.
Estatuto da Pessoa Idosa completa 23 anos
O 1º de outubro também marca, em 2026, os 23 anos do Estatuto da Pessoa Idosa.
A legislação considera pessoa idosa quem tem 60 anos ou mais e estabelece direitos relacionados à saúde, alimentação, educação, cultura, trabalho, cidadania, liberdade, dignidade, respeito e convivência familiar e comunitária.
A data mobiliza instituições catarinenses neste ano.
A OAB Santa Catarina realiza nesta quinta-feira o I Congresso Catarinense do Direito da Pessoa Idosa, em Florianópolis.
A programação discute temas como superendividamento, políticas de cuidado, curatela, sucessão, saúde e acolhimento institucional.
A entidade também programou uma oficina gratuita sobre o Estatuto da Pessoa Idosa, com debates sobre aplicação da legislação, políticas públicas, autonomia e atendimento de saúde.
Eleições de 2026 também têm direitos específicos
Neste ano eleitoral, pessoas idosas também contam com garantias específicas para exercer o direito ao voto.
Eleitores com 60 anos ou mais têm atendimento prioritário nos locais de votação. Para quem tem mais de 80 anos, a prioridade é absoluta.
A Justiça Eleitoral também prevê medidas de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
O voto é facultativo para brasileiros com mais de 70 anos, embora eles possam continuar participando normalmente das eleições.
Como denunciar violência contra a pessoa idosa
Casos de violência ou violações de direitos podem ser denunciados pelo Disque 100.
O serviço funciona 24 horas por dia e recebe denúncias gratuitamente. A comunicação também pode ser feita por terceiros que tenham conhecimento ou suspeita de uma situação de violência.
Em casos de emergência ou violência em andamento, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.
Emergências médicas devem ser encaminhadas ao Samu, pelo 192, ou ao Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Delegacias, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselhos da Pessoa Idosa, CRAS e CREAS também integram a rede de proteção.
Viver mais muda Santa Catarina
Os números mostram que o envelhecimento da população catarinense não é uniforme, mas está presente em todas as regiões.
O aumento da longevidade representa uma conquista social, ao mesmo tempo em que exige adaptações das políticas públicas e das próprias cidades.
Neste 1º de outubro, o Dia da Pessoa Idosa coloca essa transformação em evidência: mais de 1,18 milhão de catarinenses já têm 60 anos ou mais, e garantir que essa população envelheça com autonomia, segurança e participação é um desafio cada vez mais presente no estado.


