Polícia Civil descarta crime na morte de adolescente atingida por gangorra em SC

A Polícia Civil de Santa Catarina esclareceu as circunstâncias da morte de uma adolescente de 15 anos, atingida por uma gangorra artesanal de madeira que tombou durante uma brincadeira em Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis. O inquérito policial, encerrado nesta quinta-feira (15), apontou que o acidente ocorrido em 26 de setembro foi provocado pelo rompimento da base de sustentação do equipamento. A investigação não identificou responsabilidade criminal e foi encerrada sem indiciamentos.

O acidente aconteceu na localidade de Furnas do Lessa, no interior do município. A adolescente estava acompanhada de três amigas quando o grupo decidiu brincar em uma gangorra instalada em um terreno vizinho à propriedade rural onde estavam.

Durante a utilização, a estrutura sofreu um movimento lateral repentino e tombou. Duas adolescentes conseguiram saltar do equipamento, enquanto a vítima caiu e foi atingida por uma das vigas de madeira.

A jovem recebeu socorro e foi encaminhada ao hospital de Alfredo Wagner, onde a morte foi constatada. O exame necroscópico identificou traumatismo cranioencefálico provocado pelo impacto da estrutura como causa do óbito.

Perícia identificou apodrecimento na sustentação da gangorra

A investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de Alfredo Wagner contou com depoimentos de testemunhas, diligências e exames periciais para esclarecer a dinâmica do acidente.

Conforme o laudo, a gangorra artesanal era construída com toras de eucalipto, tinha aproximadamente 16 metros de comprimento e estava apoiada sobre uma coluna de madeira parcialmente enterrada no solo.

Os peritos identificaram deterioração e apodrecimento na parte subterrânea da coluna de sustentação. O comprometimento da madeira provocou a ruptura da base e o tombamento do equipamento.

Um dos aspectos considerados relevantes foi a dificuldade de identificação prévia do problema. Como a deterioração ocorria abaixo da superfície do terreno, o risco dificilmente poderia ser percebido por uma pessoa sem conhecimento técnico durante uma inspeção visual simples.

A Polícia Civil também apurou que a gangorra era utilizada havia mais de dez anos, sem registros conhecidos de acidentes anteriores.

Segundo as informações reunidas no inquérito, o proprietário realizava a manutenção do equipamento e havia programado a substituição da estrutura de sustentação.

Polícia investigou possibilidade de homicídio culposo

Durante a apuração, a Polícia Civil examinou a possibilidade de homicídio culposo, hipótese prevista na legislação penal brasileira para situações em que uma morte decorre de imprudência, negligência ou imperícia.

Entretanto, os depoimentos e os elementos técnicos reunidos não demonstraram que o proprietário ou outras pessoas envolvidas tivessem conhecimento do risco de rompimento da estrutura ou condições concretas de prever o acidente.

Os investigadores também verificaram que o proprietário estava ausente do imóvel no momento dos fatos e desconhecia que as adolescentes utilizavam a gangorra naquela ocasião.

Diante dessas circunstâncias, a autoridade policial entendeu que não foram identificados elementos suficientes para caracterizar violação do dever objetivo de cuidado ou previsibilidade do resultado, requisitos relevantes para a configuração de homicídio culposo.

O inquérito foi encerrado sem indiciamento e encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.

Acidente chama atenção para segurança de estruturas de madeira

Embora a investigação tenha afastado a responsabilidade criminal no caso específico, a ocorrência evidencia os riscos associados à deterioração de estruturas de madeira expostas às condições ambientais.

A umidade do solo e a ação de fungos podem comprometer a resistência da madeira ao longo do tempo, especialmente nas partes enterradas, onde os sinais de degradação podem permanecer ocultos.

Estruturas destinadas a suportar movimentos, impactos e o peso de pessoas exigem atenção às condições dos pontos de apoio e sustentação. Avaliações técnicas podem identificar problemas que passam despercebidos em verificações visuais.

No caso de Alfredo Wagner, a conclusão policial foi de que o rompimento da base ocorreu sem que os elementos investigados demonstrassem uma conduta penalmente responsabilizável.

A ausência de indiciamento representa a conclusão da Polícia Civil nesta etapa investigativa. O procedimento seguirá para apreciação pelas autoridades competentes.

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