Encontro no Imetro-SC apresentou tecnologias de monitoramento inteligente de veículos e cidades, com possibilidades de aplicação na segurança pública e na prevenção de desastres.
Santa Catarina poderá ampliar o uso de inteligência artificial, sensores digitais e tecnologias avançadas de medição no monitoramento de cidades, veículos e situações de emergência. As possibilidades foram discutidas nesta segunda-feira (19), durante uma reunião entre representantes do Governo do Estado e empresários da Coreia do Sul, realizada na sede do Instituto de Metrologia de Santa Catarina (Imetro-SC), em São José, na Grande Florianópolis.
O encontro reuniu especialistas em tecnologia, autoridades estaduais e representantes da empresa sul-coreana Sleno, especializada em sensores urbanos e dispositivos de monitoramento veicular. A iniciativa abriu espaço para a discussão de futuras parcerias e para a avaliação de soluções que utilizam inteligência artificial na análise de informações coletadas em ambientes urbanos.
Entre as possibilidades estão o aprimoramento de sistemas de fiscalização, o acompanhamento digital do trânsito e a integração de dados que possam auxiliar órgãos públicos na identificação de riscos e na tomada de decisões.
Tecnologia sul-coreana pode contribuir para cidades inteligentes
A delegação internacional foi liderada pelo CEO da Sleno, Shin Donghwi, que apresentou experiências e soluções já utilizadas na Coreia do Sul.
A empresa desenvolve equipamentos e sistemas voltados à coleta e ao processamento de dados, com aplicações no monitoramento urbano e veicular.
“A Sleno veio ao Brasil para apresentar soluções voltadas a cidades inteligentes e ao monitoramento digital de veículos. Acredito que nossas tecnologias podem contribuir para a segurança e a qualidade de vida da população”,
afirmou Donghwi.
O empresário também destacou a importância da regulamentação brasileira para a utilização de instrumentos de medição, reconhecendo o papel do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) na garantia da confiabilidade desses equipamentos.
A utilização de sensores e sistemas inteligentes pode contribuir para uma administração pública mais eficiente. Com informações coletadas e processadas em tempo real, gestores podem acompanhar situações de risco, identificar alterações no ambiente urbano e direcionar equipes com maior precisão.
Essas aplicações, entretanto, dependem da avaliação técnica das tecnologias, das exigências regulatórias e da viabilidade de sua integração aos sistemas existentes.
Defesa Civil avalia integração de dados e inteligência artificial
Uma das áreas com potencial de aplicação é a Defesa Civil, especialmente em Santa Catarina, estado frequentemente afetado por chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e outros eventos meteorológicos.
O gerente de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil estadual, Frederico Rudorff, participou da reunião e destacou a possibilidade de integrar novas tecnologias aos equipamentos já utilizados pelo órgão.
“A Defesa Civil opera diversos equipamentos que podem ser integrados. O processamento dessas informações via inteligência artificial otimiza a gestão de emergências. Viemos conhecer essas soluções e discutir parcerias futuras”,
explicou.
A integração de dados meteorológicos, hidrológicos e de sensores instalados em áreas urbanas pode contribuir para a identificação antecipada de situações de risco e para o planejamento das ações de resposta.
Em um estado com características geográficas variadas, que reúne litoral, serras, vales e regiões frequentemente expostas a eventos climáticos extremos, o aprimoramento desses sistemas representa uma oportunidade para fortalecer a prevenção de desastres.
Imetro-SC discute regulamentação e confiabilidade das medições
O presidente do Imetro-SC, engenheiro Alexandre Soratto, apresentou aos empresários o funcionamento do sistema brasileiro de metrologia e os procedimentos regulatórios exigidos para instrumentos de medição.
O instituto catarinense atua como órgão delegado do Inmetro e desenvolve atividades de fiscalização e vigilância de mercado, verificando a conformidade de produtos e instrumentos com os requisitos estabelecidos pela legislação.
Soratto destacou que o intercâmbio tecnológico poderá contribuir para aproximar soluções internacionais das exigências brasileiras.
“Tivemos a oportunidade de falar sobre o processo de regulamentação do Inmetro no Brasil, bem como sobre as ações de Vigilância de Mercado em Santa Catarina. Também pudemos conhecer as soluções que a empresa sul-coreana Sleno implantou na Coreia do Sul para a proteção de cidades”,
afirmou.
Segundo o presidente, a intenção é estabelecer uma ponte entre as tecnologias apresentadas e o Inmetro, permitindo avaliar instrumentos capazes de fornecer medições mais confiáveis em diferentes aplicações no país.
A confiabilidade das informações é um dos aspectos centrais da utilização de sistemas automatizados. Equipamentos empregados em fiscalização, monitoramento ou atividades de interesse público precisam apresentar medições consistentes e atender às normas aplicáveis.
Cooperação internacional pode abrir novas oportunidades
A reunião também contou com a participação da Secretaria Executiva de Articulação Internacional de Santa Catarina (SAI), representada pelo gerente de Comércio Exterior, Pedro Henrique Zanchetta Jukoski da Silva.
O órgão atua na aproximação entre instituições públicas e empresas estrangeiras, buscando oportunidades de cooperação tecnológica e desenvolvimento econômico.
“Essa relação internacional é muito importante. A SAI está sempre preparada para realizar as articulações necessárias e fomentar negócios prósperos para Santa Catarina”,
afirmou Pedro Henrique.
Além do CEO Shin Donghwi, a delegação sul-coreana contou com o diretor e gestor de projetos Ahn Jae-yong, o consultor empresarial Dr. Tong Ho e os especialistas Kim Hyun-taek, da área de hardware; Kim Do-won, de desenvolvimento e garantia de qualidade; e Lee Jin-ho, de software.
A presença de profissionais especializados permitiu discutir aspectos técnicos das soluções, incluindo equipamentos, processamento de informações e possibilidades de integração com sistemas existentes.
Próximos passos dependem de avaliações técnicas
O encontro representa uma aproximação institucional entre Santa Catarina e a empresa sul-coreana, mas ainda não significa a contratação ou implantação das tecnologias apresentadas.
Eventuais projetos dependerão de estudos de viabilidade, adequação às normas brasileiras, avaliação dos órgãos envolvidos e definição dos instrumentos legais necessários.
A reunião, contudo, evidencia o interesse em utilizar inteligência artificial e tecnologias de sensoriamento para ampliar a capacidade de acompanhamento das cidades e aperfeiçoar serviços públicos.
Para Santa Catarina, a discussão aproxima duas áreas estratégicas: a modernização tecnológica da gestão urbana e a prevenção de riscos, especialmente em um estado que precisa responder a demandas crescentes de mobilidade, segurança e proteção da população.


