Representantes do setor produtivo, pesquisadores e instituições públicas participaram nesta quinta-feira (12) de uma reunião da Câmara Setorial do Arroz para debater estratégias voltadas à produção de arroz com menor emissão de metano e à ampliação de oportunidades no mercado de créditos de carbono. O encontro foi realizado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), pela Epagri e pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), na sede da Epagri, em Florianópolis.
Com o tema Arroz Sustentável: o próximo passo para a sustentabilidade e créditos de carbono no setor, a reunião teve como foco o compartilhamento de experiências técnicas e a apresentação de projetos ligados à redução de emissões no cultivo irrigado.
Encontro reúne governo, pesquisa e setor produtivo
Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o debate reforça o papel de Santa Catarina como referência em inovação na produção de arroz irrigado.
“A reunião reforçou o papel de Santa Catarina como referência em inovação na produção de arroz irrigado e na adoção de práticas sustentáveis que conciliam produtividade, responsabilidade ambiental e geração de renda no campo. Foi um debate importante para avançarmos na relação da rizicultura com os desafios e oportunidades do setor”, afirmou.
Durante o encontro, foram apresentados projetos como o Global Methane Hub e iniciativas ligadas à Coalizão Clima e Ar Limpo (CCAC), incluindo o desenvolvimento de uma plataforma digital de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV).
Práticas já comprovadas podem reduzir metano no cultivo
O coordenador do Projeto Arroz Sustentável do IICA, Fernando Barrera, destacou que o trabalho conjunto com a Epagri busca identificar práticas mais eficientes para reduzir as emissões de metano na produção de arroz e, a partir disso, gerar benefícios econômicos aos agricultores.
“Temos um trabalho compartilhado com a Epagri, que tem vários pilares. Um deles é o apoio e o desenvolvimento conjunto de pesquisas que permitem identificar melhores práticas para a redução de emissões de metano na produção de arroz. A partir disso, essas práticas podem se conectar às possibilidades de geração de benefícios econômicos para os agricultores”, disse.
De acordo com o pesquisador da Estação Experimental da Epagri de Itajaí, Marcos do Vale, o setor já dispõe de práticas comprovadas e de fácil adoção no sistema atual, capazes de reduzir as emissões de metano no cultivo.
“É uma combinação perfeita de responsabilidade ambiental e viabilidade econômica”, resumiu.
Cooperativismo pode viabilizar acesso ao mercado de carbono
A programação também tratou do cooperativismo e da proposta de inclusão do Arroz de Santa Catarina no mercado de carbono. Segundo Marcos do Vale, o uso de ferramentas como imagens de satélite e sistemas georreferenciados permite monitorar e comprovar a adoção das práticas dentro das propriedades, garantindo mais transparência e segurança para o mercado.
A proposta prevê a geração de créditos de carbono como forma de remuneração direta aos produtores. Um dos desafios do setor é a pequena escala de muitas propriedades rurais, mas, segundo os pesquisadores, o cooperativismo pode ajudar a superar essa limitação ao reunir diferentes agricultores em um mesmo protocolo.
“O objetivo final é transformar os benefícios ambientais do sistema de produção de arroz em ativos financeiros para o produtor rural”, afirmou o pesquisador.
Estado segue como segundo maior produtor de arroz do país
Santa Catarina permanece como o segundo maior produtor de arroz do Brasil. Para a safra 2025/2026, a estimativa é de colheita de aproximadamente 1,22 milhão de toneladas.
Segundo dados apresentados pela Epagri com base na Conab, a área cultivada no estado deve ter leve redução de 1,3%, enquanto a queda projetada no país chega a cerca de 11%.
A produtividade catarinense está estimada em cerca de 8,5 mil quilos por hectare, cerca de 5% abaixo da safra anterior, que teve desempenho considerado excepcional. Ainda assim, o cenário é avaliado como dentro da normalidade para a cultura.
“Os resultados indicam uma safra dentro do esperado”, afirmou a analista da Epagri/Cepa, Glaucia Padrão.


