A Serra Catarinense vem consolidando sua posição como uma das principais regiões produtoras de vinhos de altitude do país. Mais do que investir na qualidade dos rótulos, as vinícolas têm apostado na valorização da experiência do visitante, unindo paisagens, gastronomia, hospitalidade e cultura em um modelo de enoturismo que fortalece a identidade regional.
Na Vinícola Alto dos Ventos, em São Joaquim, esse conceito faz parte da rotina de trabalho do sommelier e gerente de experiência, Vitório Carlo. Formado em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ele descobriu o universo do vinho ao longo da carreira profissional e aprofundou seus conhecimentos durante sete anos no exterior, período em que atuou na área de hospitalidade e se especializou como sommelier.
Para Vitório, quem visita uma vinícola busca muito mais do que degustar um bom vinho.
“Se for apenas para beber vinho, o cliente compra uma garrafa e fica em casa. Quem visita uma vinícola procura uma vivência diferente, quer conhecer a história do lugar, entender o processo de produção e criar uma conexão com a região.”
Essa percepção orienta o trabalho desenvolvido na Alto dos Ventos. Cada detalhe da visita é pensado para aproximar o público da essência da vinícola, transformando o passeio em uma experiência sensorial.
“O nosso desafio é criar momentos que façam o visitante levar consigo muito mais do que um vinho. Queremos que ele guarde lembranças, emoções e uma ligação verdadeira com a nossa história”, resume.
Traduzindo o vinho para o consumidor
Durante a entrevista, Vitório também explicou uma dúvida comum entre quem começa a conhecer o universo do vinho: qual é a diferença entre o trabalho do enólogo e o do sommelier.
Enquanto o enólogo é responsável pela produção da bebida — desde o cultivo das videiras até a vinificação e o controle de qualidade —, o sommelier atua como elo entre o vinho e o consumidor.
Segundo ele, cabe ao sommelier transformar informações técnicas em uma linguagem simples, tornando a degustação mais acessível para todos os públicos.
“O enólogo produz o vinho. O sommelier traduz esse conhecimento e ajuda o consumidor a entender o que está na taça.”
Vitório observa ainda que o mercado brasileiro evoluiu significativamente nos últimos anos e que o consumidor passou a enxergar o vinho como uma bebida para todas as estações.
“Hoje existem vinhos para o verão, para o inverno, para qualquer ocasião. O mais importante é descobrir o estilo que combina com cada pessoa.”
Produção própria preserva a identidade
A Alto dos Ventos cultiva todas as uvas utilizadas em seus vinhos. São 10,8 hectares de vinhedos, responsáveis pela produção anual de aproximadamente 50 mil garrafas, embora a estrutura permita chegar a 75 mil unidades.
De acordo com Vitório, manter todo o processo sob controle garante autenticidade aos rótulos.
“Cultivamos nossas próprias uvas e produzimos nossos próprios vinhos. Isso nos permite preservar a identidade da vinícola em cada safra.”
O portfólio reúne 14 rótulos, produzidos a partir de variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Chardonnay, Vermentino, Pecorino, Montepulciano e Petit Verdot.
Além disso, a vinícola iniciou o cultivo de Alvarinho e Touriga Nacional, castas portuguesas que devem integrar os próximos lançamentos.
Segundo o sommelier, investir em novas variedades faz parte da estratégia de explorar o potencial da Serra Catarinense, aproveitando características naturais como altitude, clima e solo.
Uma região que encontrou sua identidade
Depois de visitar diversas regiões produtoras ao redor do mundo, Vitório acredita que a Serra Catarinense vive um momento de consolidação.
Para ele, poucos lugares conseguem reunir terroir, clima, profissionais qualificados e estrutura turística como a região serrana de Santa Catarina.
“Conheci algumas das principais regiões produtoras do mundo e posso dizer que a Serra Catarinense tem uma identidade própria. Hoje ela produz vinhos com personalidade e características muito particulares.”
Na avaliação do especialista, o crescimento do enoturismo acompanha a evolução da qualidade dos vinhos produzidos na região e fortalece a economia local.
A combinação entre produção de excelência, hospitalidade e experiências personalizadas coloca a Serra Catarinense em posição de destaque no cenário nacional e amplia seu reconhecimento entre os principais destinos brasileiros para apreciadores de vinho.
Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão


