Setembro Amarelo chama atenção para prevenção ao suicídio em Santa Catarina

Com a chegada de setembro, a campanha Setembro Amarelo amplia o debate sobre prevenção ao suicídio, saúde mental e acesso a atendimento especializado. Em Santa Catarina, o assunto ganha relevância diante dos indicadores estaduais e reforça a importância de reconhecer situações de sofrimento e saber onde procurar ajuda.

Dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde apontam que Santa Catarina encerrou 2024 com uma taxa de mortalidade por suicídio de 14,43 óbitos por 100 mil habitantes.

Mais do que falar sobre números, a campanha busca reduzir o estigma relacionado à saúde mental e estimular a procura por atendimento.

O que é o Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização e prevenção ao suicídio. No Brasil, a mobilização foi trazida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Registros da própria ABP situam essa chegada ao país em 2014.

Embora setembro concentre as ações de conscientização, entidades de saúde defendem que prevenção, acolhimento e acesso ao tratamento sejam discutidos durante todo o ano. O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é lembrado em 10 de setembro.

Informações da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre o Setembro Amarelo

Santa Catarina registrou taxa de 14,43 mortes por 100 mil habitantes

O tema merece atenção especial dos catarinenses.

Em Relatório Detalhado da Secretaria de Estado da Saúde, o indicador referente a 2024 ficou em 14,43 mortes por suicídio para cada 100 mil habitantes. A meta estadual prevista para aquele ano era manter a taxa em 14,6 por 100 mil.

O mesmo documento registra ações estaduais de promoção da vida e prevenção, incluindo atividades relacionadas ao Setembro Amarelo e iniciativas para melhorar as informações sobre violências autoprovocadas.

Os indicadores precisam ser analisados com cuidado. Números absolutos e taxas populacionais medem aspectos diferentes, e comparações entre municípios ou estados devem considerar população, período analisado, qualidade dos registros e possíveis subnotificações.

Falar sobre suicídio exige responsabilidade

Durante muito tempo, parte da imprensa evitou completamente o assunto pelo receio de estimular novos casos. As recomendações atuais são mais específicas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a maneira como o suicídio é noticiado pode tanto prejudicar quanto contribuir para a prevenção. Coberturas extensas, sensacionalistas, que detalham métodos ou apresentam o suicídio como resposta para um problema podem aumentar riscos entre pessoas vulneráveis.

Por outro lado, reportagens que apresentam caminhos para buscar ajuda, informações corretas, histórias de recuperação e formas de enfrentar crises podem ter efeito protetivo. Esse fenômeno é conhecido na literatura como efeito Papageno.

Orientações da OMS para profissionais de imprensa

Por que alguns casos individuais não são divulgados?

Não se trata simplesmente de “esconder” ocorrências. A cobertura jornalística responsável avalia o interesse público e os possíveis impactos da publicação, principalmente quando envolve um caso individual.

Entre as recomendações da OMS estão evitar linguagem sensacionalista, não apresentar detalhes do método utilizado e sempre disponibilizar informações sobre serviços onde pessoas em sofrimento possam procurar ajuda.

Também é importante evitar explicações simplistas.

Uma morte por suicídio não deve ser atribuída automaticamente a um único acontecimento, como separação, dificuldades financeiras, problemas profissionais ou conflitos familiares. A própria OMS destaca que o fenômeno é complexo e pode envolver fatores sociais, econômicos, culturais e psicológicos que se relacionam de diferentes maneiras.

Como conversar com alguém que está passando por uma crise?

A primeira atitude é levar o sofrimento a sério. Ouvir sem julgamento, demonstrar disponibilidade e incentivar a procura por atendimento profissional são medidas importantes.

Frases que diminuem a dor da pessoa ou tratam o problema como falta de força de vontade não ajudam. Quando houver risco imediato, a orientação é buscar atendimento de urgência e não deixar a pessoa sozinha.

Familiares e amigos não precisam assumir o papel de profissionais de saúde. O mais importante é ajudar a pessoa a chegar até uma rede preparada para atendê-la.

Onde procurar ajuda em Santa Catarina

Quem estiver passando por sofrimento emocional pode procurar a rede pública de saúde do município.

As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) podem funcionar como uma das portas de entrada para avaliação e encaminhamento. Dependendo do município e da necessidade, também existem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs).

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, com atendimento 24 horas.

Em uma situação de emergência ou risco imediato, é necessário procurar um serviço de urgência ou acionar os serviços públicos de emergência.

Informação também faz parte da prevenção

O Setembro Amarelo coloca o tema em evidência durante um mês, mas prevenção exige uma rede permanente.

Isso envolve atendimento em saúde, identificação precoce de situações de risco, apoio familiar e comunitário, redução do estigma e acesso a informações confiáveis.

A imprensa também participa desse processo.

Publicar dados com contexto, evitar sensacionalismo e, principalmente, mostrar onde e como procurar ajuda permite abordar um problema de saúde pública sem transformar o sofrimento individual em espetáculo.

Onde buscar ajuda

CVV — Centro de Valorização da Vida: telefone 188, gratuito e disponível 24 horas.

CVV — atendimento e apoio emocional

SUS: procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS), CAPS ou outro serviço da rede pública de saúde do município.

Emergência: em situações de risco imediato, procure um serviço de urgência ou acione o Samu pelo 192.

Notícias relacionadas

- Publicidade -spot_img

Últimas