Vinhos de altitude impulsionam turismo e ajudam a construir a identidade da Serra Catarinense

Muito além da produção de rótulos premiados, os vinhos de altitude têm fortalecido o turismo e criado novas oportunidades econômicas na Serra Catarinense. Vinícolas da região passaram a investir em visitas guiadas, degustações e experiências que aproximam o público de todas as etapas da produção, transformando o vinho em um dos principais atrativos locais.

Para o enólogo Edson Andrade, da Vinícola Altopiano, esse movimento acompanha a evolução da vitivinicultura catarinense, que ganhou força com a formação de profissionais especializados e com a chegada de novos empreendimentos ao longo das últimas duas décadas.

Experiência passou a ser o principal atrativo

Segundo Edson, quem visita uma vinícola atualmente procura mais do que degustar um bom vinho. O interesse está em conhecer a história da propriedade, entender como a bebida é produzida e vivenciar o ambiente onde tudo acontece.

“O visitante quer conhecer o processo, saber por que determinado vinho foi criado e entender o que torna aquele produto diferente. Essa experiência faz parte do enoturismo e agrega valor ao vinho”, afirma.

Na Vinícola Altopiano, em São Joaquim, esse conceito orienta o atendimento aos visitantes. A empresa trabalha com produções limitadas, oferecendo rótulos exclusivos e permitindo que o público acompanhe parte da elaboração dos vinhos.

Produção em pequena escala valoriza exclusividade

A vinícola produz cerca de 10 mil garrafas por ano, distribuídas em 16 rótulos. Entre os projetos recentes está a elaboração experimental de um vinho produzido com a uva italiana Sagrantino di Montefalco, cuja primeira colheita rendeu aproximadamente 90 garrafas.

Para o enólogo, trabalhar com pequenos volumes permite desenvolver produtos exclusivos e apresentar aos consumidores experiências diferenciadas, aproximando-os do universo da vitivinicultura.

Formação profissional fortaleceu o setor

Edson também destaca que o crescimento dos vinhos de altitude foi acompanhado pela criação dos primeiros cursos técnicos e superiores de Enologia em Santa Catarina, formando profissionais preparados para atender às demandas das vinícolas que surgiam na Serra.

Na avaliação dele, essa qualificação contribuiu diretamente para o desenvolvimento da atividade e para a consolidação da região como referência nacional na produção de vinhos finos.

Qualidade reconhecida

Outro diferencial apontado pelo enólogo é a Indicação Geográfica dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina, certificação que garante o cumprimento de critérios técnicos, entre eles o cultivo das uvas em áreas acima de 900 metros de altitude.

Para Edson, o selo reforça a credibilidade dos produtos catarinenses e ajuda o consumidor a identificar vinhos que seguem padrões específicos de qualidade.

Mesmo com o crescimento do setor, ele avalia que a vitivinicultura na Serra Catarinense ainda está em fase de amadurecimento. Segundo o enólogo, a busca por conhecimento, inovação e identidade própria continuará sendo essencial para consolidar ainda mais a região no cenário nacional.

Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.

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