Vinícola Suzin consolida legado de pioneirismo nos vinhos de altitude de Santa Catarina

Quando as primeiras mudas de uvas viníferas foram plantadas em São Joaquim, em setembro de 2001, a produção de vinhos finos na Serra Catarinense ainda era uma aposta baseada em pesquisas e no potencial climático da região. Passados 25 anos, a Vinícola Suzin integra o grupo de empresas que ajudaram a transformar Santa Catarina em referência nacional na produção de vinhos de altitude.

Instalada em São Joaquim, a vinícola foi uma das primeiras a investir na produção comercial de uvas viníferas na região. Hoje, reúne 22 rótulos entre espumantes, vinhos brancos, rosés, tintos, cortes, varietais, vinho de sobremesa e brandy, resultado de um trabalho pautado pela qualidade desde o início do projeto.

Para o sócio-diretor da empresa, Everson Suzin, o ingresso no setor vitivinícola nasceu do espírito empreendedor da família, tradicional no agronegócio catarinense.

“A diversificação sempre fez parte da nossa estratégia. Já atuávamos na produção de batata-semente, maçãs e outras culturas quando percebemos o potencial que a vitivinicultura poderia oferecer para a região”, afirma.

Da pesquisa ao pioneirismo

O projeto foi impulsionado pelos estudos desenvolvidos pela Epagri, que identificaram na altitude e nas condições climáticas da Serra Catarinense características favoráveis para o cultivo de uvas destinadas à produção de vinhos finos.

A primeira muda foi plantada em 24 de setembro de 2001 pelo próprio Everson.

“Literalmente fui eu quem plantou a primeira muda. Neste ano completamos 25 anos daquele momento”, relembra.

A primeira colheita ocorreu em 2003 e produziu apenas 189 garrafas. A estreia comercial aconteceu somente em 2008, com vinhos elaborados a partir da safra de 2006.

A decisão de esperar mais tempo para entrar no mercado foi estratégica. Antes disso, duas safras foram descartadas por não atenderem ao padrão de qualidade definido pela família.

“Desde o início decidimos que só colocaríamos no mercado um vinho do qual tivéssemos orgulho. Poderíamos ter vendido aquelas primeiras safras, mas preferimos esperar até alcançar o resultado que buscávamos.”

Segundo Everson, essa postura ajudou a construir a credibilidade da marca e consolidar sua identidade junto aos consumidores.

Conhecimento construído ao longo de duas décadas

Sem tradição familiar na produção de vinhos, a família buscou capacitação técnica desde os primeiros anos do projeto.

Everson realizou especializações em Viticultura e Enologia, além de um mestrado profissional na área. Ainda assim, ele destaca que a experiência adquirida diariamente nos vinhedos continua sendo o principal diferencial.

“O conhecimento acadêmico é importante, mas nada substitui os anos de prática. São 25 safras aprendendo com os acertos e também com os erros.”

Hoje, a vinícola cultiva nove variedades de uvas em cerca de dez hectares. Parte dos vinhedos passou por processos de sobreenxertia, técnica que permite substituir variedades sem eliminar plantas adultas, ampliando o portfólio sem comprometer a estrutura já consolidada.

Reconhecimento dentro e fora de Santa Catarina

Ao longo da trajetória, a Vinícola Suzin acumulou premiações em concursos nacionais. Somente em 2025, foram 11 rótulos premiados.

Apesar dos resultados, Everson considera que o reconhecimento mais importante continua vindo do consumidor.

“O maior prêmio é quando o cliente volta para comprar novamente. A recompra mostra que o vinho realmente entregou qualidade.”

Na avaliação do empresário, os vinhos produzidos na Serra Catarinense já atingiram um nível de excelência comparável ao de regiões tradicionais do Brasil e do exterior.

“Durante muitos anos se dizia que a Serra Catarinense ainda produziria grandes vinhos. Eu acredito que isso já acontece. Os nossos vinhos competem de igual para igual em degustações às cegas.”

Indicação de Procedência fortalece a identidade regional

Além da produção, Everson participou da construção da Indicação de Procedência dos Vinhos de Altitude da Serra Catarinense, certificação que estabelece critérios técnicos para os produtos elaborados na região.

Segundo ele, o selo fortalece a confiança do consumidor e contribui para valorizar a origem dos vinhos catarinenses.

“A indicação de procedência garante que o vinho segue padrões definidos e reforça a identidade da nossa região produtora.”

O vinho ideal depende da ocasião

Entre os 22 rótulos produzidos pela vinícola, Everson evita apontar um favorito.

Para ele, a escolha depende do momento e da experiência que cada consumidor busca.

O Cabernet Sauvignon Super Premium, elaborado com uvas de colheita mais tardia, é uma das referências da casa pela intensidade e estrutura. Já espumantes, rosés e vinhos mais leves costumam ser indicados para encontros informais e dias mais quentes.

“O mundo do vinho precisa ser descomplicado. Não existe um vinho melhor do que outro. Existe o vinho certo para cada ocasião.”

Enquanto amplia sua presença no mercado, a Vinícola Suzin mantém as atividades agrícolas que deram origem ao empreendimento. A família segue cultivando batata-semente e maçãs em São Joaquim, preservando uma tradição iniciada há quase quatro décadas e que hoje divide espaço com uma das histórias pioneiras da vitivinicultura catarinense.

Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina, de Criciúma, e das rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.

Notícias relacionadas

- Publicidade -spot_img

Últimas