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08, 05, 2026
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Pronunciamento na Alesc alerta para avanço da violência infantil em Santa Catarina

A violência infantil em Santa Catarina foi tema de um pronunciamento realizado durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), nesta quinta-feira (7). O conselheiro tutelar de Rio do Sul, Yago Rodrigo Sonttag, participou da tribuna a convite do deputado estadual Sergio Motta (Republicanos) e fez um alerta sobre falhas na rede de proteção à infância e adolescência.

Durante a fala, Yago destacou que o aumento dos casos de violência contra crianças e adolescentes exige mais do que leis e discursos. Segundo ele, é necessária atuação efetiva do poder público e maior envolvimento da sociedade.

“Não falo apenas como autoridade técnica, mas como alguém que vive diariamente essa realidade”, afirmou o conselheiro, que também preside o Comitê Gestor da Rede de Atendimento à Criança e ao Adolescente de Rio do Sul.

Dados reforçam alerta sobre violência infantil

No pronunciamento, Yago chamou atenção para os números relacionados ao estupro de vulnerável em Santa Catarina. Conforme os dados citados durante a sessão, o estado registrou mais de dois mil casos em 2025, o equivalente a cerca de sete crianças violentadas por dia.

Informações do Ministério Público de Santa Catarina apontam que, entre janeiro e dezembro de 2025, foram registradas 2.606 vítimas menores de 14 anos, sendo aproximadamente 82% meninas.

“Isso não é apenas estatística. É uma falha coletiva”, declarou o conselheiro durante o pronunciamento.

Segundo Yago, muitas vezes a violência ocorre dentro da própria residência da vítima. Ele também criticou a falta de efetividade de legislações como a Lei da Escuta Protegida e o Plano da Primeira Infância.

“Se a lei não chega na ponta, ela vira omissão”, afirmou.

Relatos expõem fragilidades na rede de proteção

Durante a participação na Alesc, o conselheiro apresentou casos acompanhados pela rede de proteção para ilustrar situações enfrentadas pelos órgãos de atendimento.

Entre os relatos, citou o caso de uma criança de quatro anos diagnosticada com HPV após sofrer abuso sexual cometido pelo avô. Segundo ele, embora medidas tenham sido adotadas, o agressor permaneceu morando próximo da vítima.

Outro caso mencionado envolveu um adolescente que ingressou ainda criança na rede de proteção em razão de graves problemas familiares e sociais. Após anos de acompanhamento, ele voltou à escola, mas acabou se envolvendo em episódio de agressão.

“A falha é dele ou de um sistema que falhou demais?”, questionou o conselheiro.

Yago também relatou situações de violência física severa atendidas pelos Conselhos Tutelares e reforçou que muitos casos chegam às equipes quando o cenário já está agravado.

Conselheiro defende atuação conjunta

Ao longo da fala, o conselheiro destacou que os Conselhos Tutelares atuam na linha de frente da proteção à infância, mas frequentemente enfrentam limitações estruturais e falta de suporte adequado.

“O Conselho Tutelar faz o possível, mas o Estado falha”, afirmou.

Ele também ressaltou a importância da atuação conjunta entre Estado, famílias, entidades sociais e comunidades religiosas.

“A proteção da infância é responsabilidade de todos: família, Estado, igreja e comunidade. Quando uma criança sofre, o problema é coletivo”, enfatizou.

O deputado Sergio Motta elogiou a participação do conselheiro e destacou a importância do trabalho desenvolvido pelos Conselhos Tutelares em Santa Catarina.

“Precisamos estar atentos à violência e proteger nossas crianças, que são as mais vulneráveis”, declarou o parlamentar.

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