O encerramento da 8ª Feira Agropecuária de Tubarão foi marcado por emoção, memória e tradição neste domingo (24). Após mais de 30 anos, cerca de 70 carros de boi voltaram a percorrer as principais ruas da cidade, em uma carreata que reuniu famílias, produtores rurais e moradores no resgate de uma das tradições mais simbólicas do interior catarinense.
O desfile integrou a programação especial dos 156 anos de Tubarão e chamou a atenção de crianças, jovens e adultos que acompanharam o trajeto pelas ruas centrais até a Arena Multiuso, onde um almoço tradicional encerrou a feira.
O prefeito Estêner Soratto (PL) participou da carreata ao lado da primeira-dama Graziele Soratto e destacou a importância cultural do momento.
“Foi uma surpresa muito positiva ver a quantidade de participantes e a força que essa iniciativa ganhou. O desfile dos carros de boi emocionou porque trouxe para o centro da cidade uma parte muito importante da nossa história, da cultura do interior e da vida de tantas famílias tubaronenses”, afirmou.
Segundo o prefeito, o evento também reforçou o papel da Feira Agropecuária na aproximação entre cidade e campo e na valorização das raízes do município.
Tradição rural volta às ruas de Tubarão
Mais do que uma atração cultural, o desfile representou um reencontro com a memória rural da região. Durante décadas, os carros de boi fizeram parte da rotina de comunidades do interior, sendo utilizados no transporte de laranja, lenha, água e outros produtos essenciais para a vida no campo.
Para muitos participantes, voltar às ruas com os carros depois de tantos anos foi uma forma de homenagear gerações e compartilhar essa tradição com os mais jovens.
Um dos fundadores do Grupo Amigos do Carro de Boi, Alex Mateus, definiu o momento como histórico.
“Depois de mais de 30 anos, realizamos o primeiro desfile de carros de boi pelas principais ruas da cidade. Participaram cerca de 70 carros, e foi muito emocionante. Muitos dos participantes trabalharam, no passado, transportando laranja, lenha e água”, destacou.
Movimento cresceu após primeiro encontro
Entre os participantes estavam Adilson Cardoso e Tamires Theodoro Matheus, integrantes do grupo de amigos do carro de boi. Segundo eles, a tradição estava cada vez mais rara na região.
“Já não se via mais carro de boi. Era algo muito raro. No ano passado, o Alex e o Celo Cascaes idealizaram esse grupo e, no dia 1º de junho, tivemos o primeiro encontro, que já reuniu 30 carros de boi. Depois disso, o movimento foi só crescendo”, contou Adilson.
Durante o trajeto, muitos moradores relembraram histórias antigas ligadas à vida no campo. Segundo os participantes, houve relatos emocionados de produtores rurais que voltaram a recordar momentos da juventude.
“Estávamos conversando com um senhor que contou que, antigamente, eles atravessavam o rio com os carros de boi. Hoje, ele pôde reviver um pouco dessa história”, relatou Adilson.
Carreata despertou memória e contemplação
Além do resgate cultural, a experiência também trouxe uma reflexão sobre o ritmo acelerado da rotina atual. Segundo Tamires, percorrer a cidade lentamente permitiu observar detalhes muitas vezes ignorados no dia a dia.
“Vindo nos carros de boi, devagar, conseguimos contemplar. Isso também faz parte da beleza dessa tradição”, afirmou.
O som característico dos carros de boi, a presença dos animais e o envolvimento das famílias transformaram o encerramento da feira em um momento de pertencimento, memória e valorização da cultura do campo.


