A porta de saída Bolsa Família voltou ao debate nacional, especialmente neste período pré-eleitoral. A reportagem de O Estado de Santa Catarina traz uma avaliação sobre dados de três municípios que vivem realidades distintas: Itaubal, no Amapá; Pomerode, em Santa Catarina; e Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Os casos mostram diferenças entre dependência social, desenvolvimento regional e políticas locais de conexão com emprego formal.
Itaubal concentra alta dependência do benefício
Em Itaubal, no Amapá, levantamentos recentes apontam que cerca de 93% da população depende do Bolsa Família. O município tem aproximadamente 6 mil moradores e registra baixa presença de empregos formais, com apenas 28 trabalhadores com carteira assinada no setor privado, segundo dados citados por veículos que analisaram a situação local.
A economia local é marcada por atividades como agricultura de subsistência, pecuária, pesca artesanal e extrativismo. O cenário reforça um problema estrutural: sem oferta de trabalho formal e infraestrutura econômica, o benefício social tende a funcionar como renda permanente para muitas famílias.
Pomerode tem baixa presença no programa
Em Santa Catarina, Pomerode aparece no outro extremo. A cidade é conhecida pela cultura germânica e pelo forte vínculo com indústria, turismo e pequenos negócios. Dados divulgados em reportagens nacionais apontam cerca de 190 beneficiários do Bolsa Família em uma população acima de 34 mil moradores.
O caso acompanha o desempenho estadual. Santa Catarina tem uma das menores participações de domicílios no Bolsa Família no país, reflexo de maior formalização do trabalho e renda média mais alta em comparação com outros estados.
Bento Gonçalves aposta em busca ativa e emprego
Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, reduziu em cerca de 40% o número de famílias no Bolsa Família em quase um ano e meio. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, o total caiu de 2.115 famílias, em novembro de 2024, para 1.266, em abril de 2026. No mesmo período, o município criou 1.104 empregos com carteira assinada em 2025.
A cidade também aprovou a Lei Ordinária nº 7.126/2025, chamada de “1ª Lei da Ordem do Bolsa Família”, voltada a sanções administrativas e incentivos à regularização para beneficiários que tenham usado dados falsos.
A prefeitura passou a fazer busca ativa, encaminhar beneficiários aptos ao trabalho para vagas e apoiar etapas como currículo, exames admissionais e transporte inicial. Ações do tipo foram apresentadas como tentativa de integrar assistência social, fiscalização cadastral e mercado de trabalho.
Porta de saída Bolsa Família exige equilíbrio
O debate sobre a porta de saída Bolsa Família envolve um ponto central: o benefício deve proteger famílias vulneráveis, mas também precisa estar conectado a qualificação, emprego e transição de renda.
Estudo do FGV Ibre apontou que a ampliação do benefício reduziu a participação no mercado de trabalho entre alguns grupos, especialmente homens jovens nas regiões Norte e Nordeste. O levantamento também sugere integrar o programa a políticas de educação, qualificação e emprego.
Especialistas defendem que o caminho deve evitar dois extremos: cortar renda de famílias vulneráveis sem alternativa real ou manter beneficiários indefinidamente sem acesso a oportunidades. Nesse contexto, experiências municipais como a de Bento Gonçalves entram no debate como modelo de transição, desde que acompanhadas de fiscalização, oferta concreta de vagas e respeito às regras federais.
Serviço
O que está em debate: porta de saída do Bolsa Família
Pontos principais: emprego formal, qualificação, fiscalização cadastral e transição de renda
Cidades citadas: Itaubal (AP), Pomerode (SC) e Bento Gonçalves (RS)
Órgãos relacionados: Ministério do Desenvolvimento Social, prefeituras e rede de assistência social


