O setor de ensino superior privado brasileiro atravessa um novo ciclo de crescimento após anos marcados por reestruturações financeiras, mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e os impactos da pandemia de Covid-19. Dados de mercado mostram que as principais companhias educacionais listadas na B3 voltaram a registrar melhora nos resultados, impulsionadas pela redução do endividamento, aumento da geração de caixa e maior eficiência operacional.
A mudança também alterou a percepção dos investidores. Se, em anos anteriores, o mercado valorizava a expansão acelerada do número de alunos, especialmente no ensino a distância (EAD), atualmente o foco está na rentabilidade, na geração de caixa e na expansão dos cursos de Medicina, considerados um dos segmentos mais rentáveis do ensino superior.
Cogna e YDUQS seguem entre as maiores do país
A Cogna Educação permanece entre os maiores grupos educacionais do Brasil. Dona de marcas como Anhanguera, Unopar e Pitágoras, a companhia registra faturamento anual estimado entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões. Além da graduação, parte da receita é impulsionada por contratos ligados ao Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).
A YDUQS, controladora da Estácio e da rede de escolas médicas IDOMED, também mantém receita próxima de R$ 5 bilhões por ano. A empresa se destaca pela forte geração de caixa, enquanto a vertical de Medicina continua sendo um dos principais motores de crescimento e rentabilidade.
Ânima e Ser Educacional reforçam estratégias de expansão

A Ânima Educação, proprietária de instituições como São Judas, Una, UniBH, Unisul e da Inspirali, especializada em cursos de Medicina, vem consolidando sua estratégia voltada ao ensino premium e à área da saúde. Após um período de elevado endividamento decorrente de aquisições, a companhia avançou no processo de desalavancagem, movimento que melhorou sua avaliação entre analistas do mercado.
Já a Ser Educacional, mantenedora da Uninassau, Unama e Univeritas, mantém forte presença nas regiões Norte e Nordeste e busca ampliar sua atuação em outras regiões do país. O grupo registrou melhora das margens operacionais por meio do reajuste de mensalidades e do controle de custos.
Medicina ganha protagonismo nas estratégias
Entre os principais grupos do setor, a oferta de cursos de Medicina passou a ocupar posição estratégica. O segmento apresenta mensalidades mais elevadas, menor evasão de estudantes e demanda consistente, fatores que contribuem para ampliar a rentabilidade das instituições.
Essa mudança de perfil também influencia a avaliação do mercado financeiro, que passou a privilegiar empresas com operações mais eficientes e receitas recorrentes em detrimento da expansão baseada apenas no volume de matrículas em cursos de baixo tíquete.
Mercado passa a priorizar geração de caixa
Analistas apontam que a atual fase do setor é marcada por maior disciplina financeira. Em vez de priorizar crescimento acelerado, as empresas têm concentrado esforços na redução da dívida, na melhoria das margens operacionais e na geração de caixa para os acionistas.
Além de Cogna, YDUQS, Ânima Educação e Ser Educacional, outras companhias também se destacam no segmento, como a Vitru Education, voltada ao ensino híbrido e à educação a distância, e a Afya, especializada em cursos de Medicina e listada na bolsa norte-americana Nasdaq.
A perspectiva do mercado é que a demanda por formação superior continue elevada, especialmente em cursos da área da saúde e em modelos que conciliem qualidade acadêmica, tecnologia e sustentabilidade financeira.


