Os procedimentos de fiscalização com bafômetro passaram a prever cuidados mais detalhados em situações nas quais resíduos de álcool na boca possam interferir temporariamente na medição. Entre as orientações está a possibilidade de uma nova avaliação quando houver suspeita desse tipo de interferência. A medida busca aumentar a confiabilidade dos resultados sem alterar a proibição de dirigir sob influência de álcool.
O professor de Engenharia da Estácio, Anderson Manzoli, explica que o equipamento analisa o ar expirado pelo motorista para estimar a concentração de álcool no organismo. Entretanto, determinadas substâncias presentes na boca podem influenciar momentaneamente o resultado.
Produtos de higiene bucal, medicamentos e alguns alimentos e bebidas fermentados estão entre os fatores que podem provocar essa alteração passageira.
Como o álcool residual pode interferir no bafômetro
Segundo Manzoli, o funcionamento do bafômetro depende da análise do ar expelido pelo motorista. O objetivo é identificar a presença de álcool relacionada à substância absorvida pelo organismo.
O problema pode ocorrer quando o teste é realizado logo após o contato com produtos que contenham álcool.
“O equipamento procura identificar o álcool presente no ar expirado, que está relacionado ao que foi absorvido pelo organismo. Porém, quando existe álcool residual na boca, essa concentração pode interferir momentaneamente no resultado. Por isso, é importante observar as condições da abordagem e seguir os procedimentos previstos para confirmar a medição”,
afirma.
O especialista ressalta que a utilização desses produtos não provoca, necessariamente, um resultado positivo. A possibilidade de interferência depende das circunstâncias e do intervalo entre o contato com a substância e a realização do teste.
Nova avaliação pode ajudar a confirmar o resultado
Quando houver suspeita de álcool residual na boca, uma nova medição, conforme os procedimentos aplicáveis, pode ajudar a esclarecer o resultado inicial.
A diferença está na origem do álcool identificado. Enquanto o álcool absorvido pelo organismo pode permanecer detectável por mais tempo, o resíduo presente na boca tende a desaparecer após um intervalo.
“É preciso diferenciar o álcool que permanece temporariamente na boca daquele que foi absorvido pelo corpo. Quando há suspeita de interferência, uma nova medição ajuda a verificar se o índice permanece estável ou se diminui após alguns minutos”,
explica Manzoli.
A adoção de procedimentos de confirmação busca reduzir o risco de interpretações equivocadas e oferecer maior segurança tanto aos agentes de trânsito quanto aos motoristas abordados.
“A repetição do teste, quando prevista e aplicada de forma adequada, aumenta a segurança para todos os envolvidos. O agente passa a contar com um resultado mais confiável, enquanto o motorista tem a garantia de que uma possível interferência pontual será considerada. Isso não enfraquece a fiscalização; ao contrário, torna a constatação mais consistente”,
destaca.
Lei Seca continua em vigor e penalidades não mudam
Apesar dos cuidados adicionais na fiscalização, as regras que proíbem dirigir sob influência de álcool continuam valendo em todo o Brasil.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê penalidades para motoristas flagrados dirigindo sob influência de álcool, incluindo multa e suspensão do direito de dirigir, conforme o enquadramento da infração.
Em situações previstas na legislação, a conduta também pode configurar crime de trânsito.
O professor reforça que os procedimentos de confirmação não representam uma flexibilização da fiscalização.
“Não existe autorização para consumir álcool e dirigir. A orientação continua sendo não beber antes de assumir o volante. O objetivo das novas regras é assegurar que o resultado do bafômetro represente uma condição real do organismo, e não uma interferência passageira na boca”,
informa.
A orientação de segurança permanece a mesma: quem consumir bebida alcoólica não deve dirigir.


