Neste mês de conscientização sobre o câncer cerebral, o Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), unidade do Governo de Santa Catarina em Florianópolis, reforça a importância de reconhecer os sinais de alerta da doença e buscar avaliação médica especializada diante de sintomas persistentes.
Em 2025, a unidade acompanhou 42 pacientes em tratamento para câncer cerebral. Entre eles está Carolina Nascimento, que recebeu aos 29 anos o diagnóstico de glioblastoma, um tumor cerebral localizado na região temporal esquerda. Antes da descoberta da doença, ela conviveu durante meses com dores de cabeça intensas e frequentes.
Atualmente, Carolina está bem e segue em acompanhamento médico após passar por cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
Paciente relata sintomas antes do diagnóstico
Depois da cirurgia, Carolina realizou 30 sessões de radioterapia associadas à quimioterapia durante seis meses no CEPON.
“O acolhimento da equipe fez toda a diferença durante o processo para eu conseguir enfrentar esse desafio”, afirmou.
Hoje, ela retomou a rotina e celebra a recuperação.
“Estou bem, cuidando das minhas meninas e não sinto mais aquela dor constante. Minha visão e meus movimentos estão normais”, relatou.
Carolina também faz um alerta sobre a importância de procurar ajuda médica diante de sintomas persistentes.
“Dor constante não é normal. Procure um médico”, reforçou.
Sintomas do câncer cerebral exigem atenção
O câncer cerebral é caracterizado pelo crescimento anormal de células no sistema nervoso central (SNC) e pode comprometer funções importantes do organismo, afetando significativamente a qualidade de vida do paciente.
Segundo o diretor-geral do CEPON, Dr. Alvin Laemmel, os sintomas variam conforme a localização, o tamanho e a velocidade de crescimento do tumor.
“As dores de cabeça frequentes e progressivas, acompanhadas de sintomas que não melhoram com analgésicos comuns e pioram ao se deitar, frequentemente marcam o início do quadro”, explicou.
De acordo com o especialista, conforme o tumor evolui, podem surgir convulsões, alterações sensoriais, episódios de inconsciência e mudanças significativas na personalidade ou nas funções cognitivas.
Outros sinais de alerta incluem alterações na fala, visão, audição e equilíbrio, além de redução da sensibilidade ao tato e à temperatura.
Santa Catarina deve registrar 750 novos casos em 2026
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Santa Catarina deve registrar cerca de 750 novos casos de câncer do sistema nervoso central em 2026. Apenas em Florianópolis, a previsão é de aproximadamente 50 novos diagnósticos.
Atualmente, o Estado conta com 21 unidades de saúde habilitadas para tratamento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), distribuídas em todas as regiões catarinenses.
O CEPON é uma unidade vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES) e administrada pela Fundação de Apoio ao HEMOSC/CEPON (FAHECE).
Fatores de risco e importância da investigação médica
Entre os fatores de risco associados ao câncer cerebral estão exposição à radiação ionizante, histórico familiar, síndromes genéticas, imunodeficiência e contato ocupacional com substâncias químicas, como metais pesados e pesticidas.
Embora não existam formas comprovadas de prevenção, especialistas destacam que hábitos saudáveis e atenção aos sinais do corpo podem favorecer o diagnóstico precoce e aumentar as chances de sucesso no tratamento.
A recomendação é procurar avaliação médica sempre que sintomas persistentes afetarem a rotina ou apresentarem agravamento progressivo.


