Diamante projeta futuro do Complexo Jorge Lacerda após 2040 em Santa Catarina

A Diamante Energia iniciou uma agenda de apresentação a empresários, lideranças regionais e representantes de instituições para discutir o futuro do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, no Sul de Santa Catarina. O planejamento considera o horizonte de 2040, período previsto para a atual operação vinculada à cadeia do carvão, e busca identificar alternativas capazes de manter a geração de energia, investimentos e empregos na região.

O presidente da companhia, Pedro Litsek, tem participado dos encontros e defendido que a definição dos próximos passos precisa começar com antecedência. A avaliação da empresa é de que projetos de geração de energia exigem anos de estudos, licenciamento, contratação, financiamento e implantação.

“Quinze anos não é nada. Se você não começa a planejar hoje, vai chegar em 2040 e não vai ter opções para esse terreno”, afirmou Litsek durante apresentação sobre o futuro do complexo.

Complexo tem importância para o sistema elétrico catarinense

O Jorge Lacerda possui 740 megawatts de capacidade instalada e representa uma parcela relevante da capacidade de geração disponível em Santa Catarina.

Além da produção de energia, o complexo está inserido em uma cadeia econômica que envolve mineração, transporte, fornecedores, serviços especializados e municípios da região carbonífera.

Segundo dados apresentados pela Diamante, a cadeia relacionada ao carvão reúne aproximadamente 25 mil empregos diretos e indiretos e alcança 34 municípios.

A empresa também estima que cerca de mil trabalhadores circulem diariamente pelo Complexo Jorge Lacerda, considerando empregados próprios, terceirizados e profissionais mobilizados para manutenção e revisões periódicas.

O impacto econômico ultrapassa Capivari de Baixo. Municípios da região Sul possuem atividades diretamente relacionadas à mineração e aos serviços vinculados à geração termelétrica.

Estrutura existente pode favorecer novos investimentos

A discussão sobre o período posterior a 2040 considera os ativos existentes no complexo.

A Diamante possui aproximadamente 3 milhões de metros quadrados de terreno próprio, conexão com a rede de transmissão, infraestrutura industrial, disponibilidade de água, acesso rodoviário e ferroviário e profissionais especializados.

Para a companhia, esse conjunto pode favorecer a implantação de novos projetos energéticos no mesmo espaço.

Os estudos analisam diferentes alternativas tecnológicas e econômicas. O objetivo é encontrar soluções capazes de aproveitar a infraestrutura instalada, manter a região como polo de geração e reduzir os impactos de uma futura transformação da cadeia do carvão.

Idade das atuais unidades também exige planejamento

Outro elemento considerado pela Diamante é a idade dos equipamentos atualmente em operação.

Algumas unidades do Complexo Jorge Lacerda possuem cerca de seis décadas de funcionamento e acumulam centenas de milhares de horas de operação.

Mesmo com o horizonte de atividade estabelecido até 2040, a empresa avalia que o envelhecimento das máquinas torna necessário preparar alternativas com antecedência.

O planejamento envolve, portanto, duas questões: o período previsto para a atual cadeia energética e a própria vida útil das instalações.

Transição energética ganha dimensão estadual

A discussão ocorre em meio às mudanças na matriz elétrica brasileira.

O avanço da geração solar e eólica aumentou a participação das fontes renováveis, ao mesmo tempo em que trouxe novos desafios ao sistema elétrico. Como dependem das condições climáticas, essas fontes precisam ser combinadas com modalidades capazes de oferecer energia de forma contínua e dar estabilidade à rede.

A Diamante defende também o fortalecimento da geração dentro da Região Sul.

Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul dependem de energia transportada de outras regiões do país em determinados períodos. Na avaliação da companhia, ampliar a geração local representa uma questão de segurança energética.

Para Santa Catarina, o debate envolve ainda a continuidade de uma atividade industrial que movimenta uma extensa cadeia de fornecedores e trabalhadores.

Pesquisas buscam novas aplicações e tecnologias

Paralelamente ao planejamento do futuro do complexo, a Diamante desenvolve projetos de pesquisa relacionados à transição energética e ao aproveitamento de resíduos.

Um dos trabalhos utiliza cinzas resultantes da queima do carvão para a produção de zeólitas. O material pode ser empregado em processos ambientais e também na agricultura, inclusive para melhorar a eficiência na utilização de fertilizantes.

A companhia também pesquisa o aproveitamento de biomassas e novas formas de geração e armazenamento de energia.

Esses projetos fazem parte de uma estratégia mais ampla de diversificação das atividades da empresa.

Empresa amplia diálogo com lideranças

As apresentações realizadas pela Diamante procuram colocar o tema em discussão antes que as decisões se tornem urgentes.

Empresários, associações, representantes públicos e lideranças regionais estão entre os públicos procurados pela companhia.

Para a empresa, o futuro do Jorge Lacerda precisa ser analisado não somente sob a ótica da geração de energia, mas também pelos efeitos sobre emprego, renda, arrecadação e desenvolvimento regional.

A expectativa é de que os próximos anos sejam utilizados para estudos e construção das condições necessárias para que Santa Catarina chegue a 2040 com alternativas definidas para um dos principais complexos energéticos do estado.

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