Mesmo preso e incomunicável por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve forte influência na eleição de 2026. Tarcísio de Freitas (Republicanos) é reeleito em São Paulo, Sergio Moro (PL) vence no Paraná e antigos integrantes do governo garantem cadeiras na Câmara dos Deputados
As eleições de 4 de outubro de 2026 recolocaram antigos integrantes do governo Jair Bolsonaro (PL) em posições de destaque na política nacional. Dos 11 ex-ministros que permaneceram na disputa eleitoral, seis conquistaram mandatos. Dois foram eleitos governadores e outros quatro garantiram vagas na Câmara dos Deputados.
O resultado evidencia a permanência de integrantes da administração federal de 2019 a 2022 na representação política brasileira. O grupo inclui antigos responsáveis por áreas estratégicas, como Infraestrutura, Justiça, Saúde, Turismo e Cidadania.
Entre os principais resultados estão a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo e a eleição de Sergio Moro (PL) para comandar o Paraná. Ambos venceram no primeiro turno.
Tarcísio e Moro conquistam governos estaduais no primeiro turno das eleições
62,65%
dos votos válidos
Ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio foi reeleito governador de São Paulo pelo Republicanos. A Justiça Eleitoral confirmou a vitória com 100% das urnas apuradas, garantindo seu segundo mandato consecutivo.
50,10%
dos votos válidos
Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Moro foi eleito governador do Paraná pelo PL com 3.127.911 votos. Ele ocupava uma cadeira no Senado, conquistada em 2022, e assumirá o Executivo estadual em janeiro de 2027.
A vitória de ambos amplia a presença de antigos integrantes do governo federal em administrações estaduais de grande relevância econômica e política.
Quatro ex-ministros garantem vagas na Câmara dos Deputados
Além dos governadores eleitos, quatro antigos ministros de Bolsonaro conquistaram cadeiras na Câmara Federal. Três foram reeleitos, enquanto um assumirá seu primeiro mandato como deputado federal.
| Ex-ministro | Pasta no governo Bolsonaro | Resultado em 2026 |
|---|---|---|
| Eduardo Pazuello (PL-RJ) | Saúde | Reeleito deputado federal |
| Osmar Terra (PL-RS) | Cidadania | Reeleito deputado federal |
| Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG) | Turismo | Reeleito deputado federal |
| Gilson Machado (Podemos-PE) | Turismo | Eleito deputado federal |
Os quatro integrarão a legislatura de 2027 a 2031. O resultado demonstra que parte dos antigos integrantes do Executivo federal manteve espaço na Câmara dos Deputados, mesmo após quatro anos do encerramento do governo Bolsonaro.
Antigos líderes do governo também conquistam mandatos
A eleição de 2026 também levou ao Congresso nomes que exerceram funções de liderança parlamentar durante a administração Bolsonaro. Um deles é Major Vitor Hugo (PL-GO). O ex-líder do governo na Câmara dos Deputados conquistou uma cadeira e retornará ao Parlamento federal em 2027. A informação consta da relação oficial de ex-deputados que voltarão à Casa na próxima legislatura.
Outro nome é Eduardo Gomes (PL-TO), reeleito senador pelo Tocantins. Durante o governo Bolsonaro, Gomes exerceu a liderança do governo no Congresso Nacional, participando da articulação entre o Executivo, a Câmara e o Senado. A reeleição assegura ao parlamentar mais oito anos de mandato, de fevereiro de 2027 a janeiro de 2035.
Antigos integrantes do governo também registram derrotas
O desempenho dos ex-ministros apresentou resultados diferentes conforme o estado e o cargo disputado.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), que comandou a Casa Civil durante parte do governo Bolsonaro, disputou a reeleição ao Senado, mas ficou fora das duas vagas destinadas ao Piauí.
Também ficaram sem mandato nas disputas de 2026 João Roma (PL-BA), ex-ministro da Cidadania, e Marcelo Queiroga (PL-PB), ex-ministro da Saúde. Ambos concorreram ao Senado.
Na Câmara dos Deputados, Onyx Lorenzoni (PP-RS), que ocupou diferentes ministérios durante a administração Bolsonaro, e Cristiane Britto (Republicanos-DF), ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, também ficaram fora da lista de eleitos.
Ricardo Salles (Novo-SP), ex-ministro do Meio Ambiente, retirou sua candidatura ao Senado antes da votação e, por isso, integra o levantamento histórico dos ex-ministros, mas fica fora da contagem dos 11 candidatos que efetivamente permaneceram na disputa.
Santa Catarina elege dois representantes da família Bolsonaro ao Congresso
Em Santa Catarina, os resultados também trouxeram mudanças na representação política ligada ao ex-presidente.
Eleito senador por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) conquistou uma das duas cadeiras disputadas pelo estado. Ex-vereador do Rio de Janeiro, é filho do ex-presidente e teve participação na comunicação política do pai.
Eleito deputado federal por Santa Catarina, Jair Renan (PL) exercia mandato de vereador em Balneário Camboriú. Na eleição de 2026, utilizou o nome de urna Jair Bolsonaro.
Os dois resultados constam das relações oficiais dos eleitos para o Senado e a Câmara Federal.
Resultados mostram continuidade e renovação de lideranças
O levantamento revela que a passagem pelo governo federal entre 2019 e 2022 continua presente na trajetória de diferentes representantes eleitos em 2026. Entre os ex-ministros, o saldo foi de seis eleitos e cinco derrotados. A estes se somam antigos líderes parlamentares que conquistaram novos mandatos, como Major Vitor Hugo e Eduardo Gomes.
A reeleição de Tarcísio de Freitas, a chegada de Sergio Moro ao governo do Paraná e a presença de antigos ministros na Câmara Federal são os principais resultados desse grupo.
Ao mesmo tempo, as derrotas de Ciro Nogueira, João Roma, Marcelo Queiroga e Onyx Lorenzoni demonstram que a participação no antigo governo teve resultados eleitorais diferentes entre regiões e cargos.
A partir de 2027, esses parlamentares e governadores exercerão suas funções em um cenário político definido pela nova composição do Congresso Nacional e pelos resultados do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.


