Eleições de 2026 deixam ex-ministros de Lula e líderes do governo fora dos cargos disputados

Ex-ministros e aliados do presidente Lula sofrem derrotas nas urnas. Haddad, Marina Silva, Simone Tebet, Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta e Randolfe Rodrigues estão entre os nomes que sofreram derrotas; resultado alcança disputas estaduais e o Congresso Nacional

As eleições de 4 de outubro de 2026 produziram uma série de derrotas para integrantes e antigos colaboradores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ex-ministros, parlamentares responsáveis pela articulação política do Executivo e aliados do Palácio do Planalto ficaram fora dos cargos que disputaram, especialmente nas eleições para o Senado Federal e governos estaduais.

O levantamento dos resultados eleitorais mostra que 12 dos 22 ex-ministros candidatos ficaram sem os mandatos pretendidos, enquanto nove conquistaram vagas legislativas. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também ocupou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, permanece na disputa presidencial, como candidato a vice-presidente, cujo segundo turno está previsto para 25 de outubro.

Entre os derrotados estão antigos titulares de ministérios estratégicos, como Fazenda, Meio Ambiente, Planejamento, Transportes e Comunicação Social. As derrotas também atingiram parlamentares que participaram da sustentação política do governo no Congresso Nacional.

Haddad perde governo de São Paulo; Marina e Tebet ficam fora do Senado

Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) on X

Fernando Haddad (PT) Foto Reprodução OEstadodeSC

Ex-ministro da Fazenda, disputou o governo de São Paulo e foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos. Haddad recebeu 36,42%. Seu candidato a vice, Márcio França (PSB), também ex-ministro do governo Lula, integrou a chapa derrotada.

File:Foto oficial 2 de Simone Tebet.jpg - Wikimedia Commons

Simone Tebet (PSB) FOTO Divulgação OEstadodeSC

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento, concorreu ao Senado por São Paulo. Recebeu 8.342.968 votos, equivalentes a 19,23% dos votos válidos para o cargo, e ficou em terceiro lugar, e por isso, fora das duas vagas disputadas.

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Marina Silva (Rede) FOTO Reprodução OEstadodeSC

Ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, também disputou uma vaga ao Senado por São Paulo. Conquistou 7.862.400 votos, correspondentes a 18,12% dos votos válidos, e ficou em quarto lugar na corrida, portanto fora das duas cadeiras.

As vagas paulistas no Senado foram conquistadas por Guilherme Derrite (PP), com 30,59%, e André do Prado (PL), com 29,28% dos votos válidos.

O resultado deixou os dois nomes apoiados pelo governo Lula fora da representação paulista no Senado a partir de 2027. Tebet e Marina haviam exercido funções de destaque no Executivo federal e integraram a disputa pelo Senado na mesma eleição em que Haddad buscava o governo estadual.

Gleisi Hoffmann perde no Paraná e Randolfe fica fora no Amapá

A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais e ex-presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disputou uma cadeira no Senado pelo Paraná, mas ficou fora das duas vagas destinadas ao estado. Ela teve a quarta votação em número de votos.

Gleisi já havia exercido mandato de senadora entre 2011 e 2019. No terceiro governo Lula, assumiu a articulação política entre o Palácio do Planalto, os partidos e o Congresso Nacional.

No Amapá, o senador Randolfe Rodrigues (PT), que exerceu a liderança do governo Lula no Congresso Nacional, também sofreu derrota ao disputar a reeleição.

Randolfe chegou ao Senado em 2011 e foi reeleito em 2018. Sua participação na articulação legislativa do governo incluiu negociações de matérias econômicas e projetos encaminhados pelo Executivo.

As duas derrotas atingiram representantes diretamente envolvidos na relação institucional do governo com o Congresso.

Paulo Pimenta perde disputa ao Senado no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o deputado federal Paulo Pimenta (PT), que comandou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e o mnistério extraordinário da reconstrução do estado gaúcho pós enchentes de 2024, disputou uma cadeira no Senado, mas ficou fora das duas vagas.

Pimenta recebeu 1.870.301 votos, equivalentes a 16,31% dos votos válidos para o Senado no estado.

Os eleitos foram Ubiratan Sanderson (PL), com 3.453.316 votos, e Marcel van Hattem (Novo), com 3.449.053 votos, conforme os resultados oficiais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul.

Pimenta exerceu mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados e integrou o primeiro escalão do terceiro governo Lula. Sua candidatura ao Senado representou uma tentativa de mudança de Casa legislativa, que ficou sem êxito nas urnas.

Outras derrotas atingem ex-ministros em cinco estados

Além dos nomes envolvidos nas disputas de São Paulo, Paraná, Amapá e Rio Grande do Sul, o resultado eleitoral atingiu outros integrantes do primeiro escalão do governo Lula.

Em Alagoas, Renan Filho (MDB), ex-ministro dos Transportes, foi derrotado na eleição para governador por JHC (PSDB). Renan Filho recebeu 47,37% dos votos, enquanto o adversário conquistou 52,20%.

No Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD), que comandou o Ministério da Agricultura e Pecuária, disputou uma vaga ao Senado, mas ficou fora das duas cadeiras.

No Pará, Celso Sabino (PDT), ex-ministro do Turismo, também disputou o Senado e ficou sem mandato.

As derrotas alcançaram ainda três antigos ministros que buscaram cadeiras na Câmara dos Deputados:

  • Paulo Teixeira (PT-SP): ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, ficou na suplência.

  • Daniela Carneiro (Republicanos-RJ): ex-ministra do Turismo, ficou fora da relação de deputados federais eleitos.

  • Márcio Macedo (PT-SE): ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, também ficou sem a vaga pretendida.

O conjunto desses resultados demonstra que a participação no governo federal teve desfechos eleitorais diferentes entre estados e cargos.

José Dirceu tenta retornar à Câmara, mas fica na suplência

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP), um dos principais articuladores políticos dos primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva, também ficou fora da Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Aos 80 anos, Dirceu recebeu 78.450 votos e terminou na sexta suplência da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

Ministro entre 2003 e 2005 e ex-presidente nacional do PT, José Dirceu buscava retornar ao Congresso Nacional depois de mais de duas décadas afastado das disputas eleitorais. O resultado manteve o antigo dirigente petista fora da composição eleita para a legislatura de 2027 a 2031.

Aliados do governo também ficam sem vagas no Senado

Entre os parlamentares próximos ao governo Lula que disputaram a eleição de 2026, outros nomes ficaram fora da próxima legislatura.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que exerceu mandatos consecutivos desde 1995, tentou a reeleição em Alagoas e terminou fora das duas vagas.

No Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila (PSOL), ex-deputada federal e ex-deputada estadual, também disputou o Senado, sem conquistar uma cadeira.

Esses nomes devem ser distinguidos dos ex-ministros e dos líderes formais do governo. Sua inclusão decorre da participação em alianças políticas e candidaturas apoiadas por partidos que integram ou apoiam a administração federal.

Derrotas convivem com eleição de outros integrantes do governo

O levantamento também registra resultados favoráveis a antigos ministros do governo Lula.

Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil, e André Fufuca (PP-MA), ex-ministro do Esporte, conquistaram cadeiras no Senado.

Na Câmara dos Deputados, foram eleitos antigos titulares de ministérios, entre eles Anielle Franco (PT-RJ), Nísia Trindade (PT-RJ), Sônia Guajajara (PSOL-SP), Jader Filho (MDB-PA), Juscelino Filho (PSDB-MA) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE).

Macaé Evaristo (PT-MG), ex-ministra dos Direitos Humanos, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Dessa forma, o resultado do primeiro turno apresenta um quadro de renovação parcial dos representantes ligados ao Executivo federal. Enquanto alguns antigos ministros obtiveram novos mandatos, outros ficaram fora das vagas disputadas.

A dimensão política dessas mudanças dependerá também da composição das bancadas partidárias, das alianças parlamentares e do resultado do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

Levantamento consolidado: ex-ministros derrotados em 2026

Nome Cargo disputado Estado
Fernando Haddad Governador SP
Márcio França Vice-governador SP
Renan Filho Governador AL
Simone Tebet Senadora SP
Marina Silva Senadora SP
Gleisi Hoffmann Senadora PR
Carlos Fávaro Senador MT
Celso Sabino Senador PA
Paulo Pimenta Senador RS
Paulo Teixeira Deputado federal SP
Daniela Carneiro Deputada federal RJ
Márcio Macedo Deputado federal SE

 

Quadro restrito a ex-integrantes do primeiro escalão do terceiro governo Lula que disputaram as eleições de 2026 e ficaram fora dos cargos pretendidos. Randolfe Rodrigues, Gleisi, José Dirceu e outros aliados parlamentares são contabilizados separadamente.

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