Presidente amplia votação em mais de 10 milhões de votos, supera adversário por 4,3 milhões e vence eleição marcada por questionamentos à decisão do STF.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo, 25 de outubro de 2026, após superar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A vitória garante ao petista o quarto mandato presidencial e representa uma recuperação eleitoral expressiva em relação ao primeiro turno, quando havia terminado atrás do candidato do PL.
Com 99,87% das urnas apuradas, Lula recebeu 64.145.442 votos, equivalentes a 51,76% dos válidos. Flávio Bolsonaro conquistou 59.775.583 votos, correspondentes a 48,24%.
A diferença entre os candidatos foi de 4.369.859 votos.
Crescimento de Lula supera avanço de Flávio
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia liderado a eleição com 56.104.503 votos, enquanto Lula alcançou 53.879.538.
O candidato do PL chegou ao segundo turno com uma vantagem de 2.224.965 votos.
A diferença foi revertida nas três semanas seguintes. Lula acrescentou 10.265.904 votos à sua votação anterior. Flávio Bolsonaro também cresceu, somando mais 3.671.080 votos.
O crescimento de Lula foi 6.594.824 votos superior ao registrado pelo adversário, considerando a apuração disponível.
O resultado mostra uma alteração significativa na distribuição do eleitorado entre os dois turnos.
Estados mostram mudanças no comportamento eleitoral
O Rio Grande do Norte foi um dos estados em que Lula ampliou sua votação. O presidente passou de 1.237.963 votos no primeiro turno para 1.413.596 no segundo, um acréscimo de 175.633 votos.
Em termos percentuais, o petista avançou de 59,75% para 65,72%.
No Amapá, Lula passou de 45,71% para 52,88% dos votos válidos. Em números absolutos, acrescentou 10.465 votos.
O crescimento também foi registrado entre eleitores brasileiros residentes no exterior, com avanços na Austrália, Nova Zelândia e em diferentes centros eleitorais europeus.
Esses dados ajudam a explicar a recuperação do presidente, embora a identificação completa dos estados que mais contribuíram para a virada exija a comparação consolidada das votações dos dois turnos em todas as unidades da Federação.
Santa Catarina mantém votação favorável ao PL
Mesmo com a vitória nacional de Lula, Flávio Bolsonaro permaneceu à frente em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
O comportamento eleitoral do Sul demonstra que a recuperação nacional do presidente não foi uniforme em todo o território brasileiro.
Santa Catarina manteve sua preferência majoritária pelo candidato do PL, mas o desempenho estadual não foi suficiente para compensar a vantagem obtida por Lula na soma nacional.
O resultado também evidencia a importância da distribuição territorial dos votos. A eleição presidencial é decidida pela maioria dos votos válidos em todo o país, e não pela quantidade de estados vencidos.
Decisão de Zanin abre discussão sobre segurança jurídica
Além da disputa eleitoral, o segundo turno foi marcado por uma controvérsia envolvendo o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral.
O ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação do horário de votação até as 19h, após receber denúncias de dificuldades no transporte coletivo de eleitores.
A decisão foi divulgada às 17h03, quando o horário originalmente previsto para o encerramento da votação já havia terminado.
O TSE suspendeu temporariamente a totalização dos votos e precisou orientar os tribunais regionais sobre o cumprimento da determinação.
Em esclarecimento posterior, Zanin estabeleceu que a votação continuaria somente nas seções ainda abertas. As urnas encerradas permaneceriam fechadas e seus votos seriam normalmente computados.
A situação abriu uma discussão sobre a igualdade de condições de votação entre os eleitores, a comunicação entre os tribunais e os limites da intervenção judicial durante o processo eleitoral.
Entre os pontos que poderão ser examinados estão a quantidade de seções que permaneceram abertas, o número de eleitores atendidos depois das 17h e a existência de eventuais prejuízos decorrentes da aplicação desigual da medida.
A avaliação de eventuais consequências jurídicas dependerá de provas, manifestações das partes e decisões das autoridades competentes.
A controvérsia, por si só, não demonstra que a diferença nacional de votos tenha sido produzida pela prorrogação.
Lula chega ao quarto mandato presidencial
Com a vitória, Lula amplia sua trajetória na Presidência da República. Eleito em 2002 e reeleito em 2006, retornou ao Palácio do Planalto após a vitória de 2022 e agora assegura novo mandato para o período de 2027 a 2030.
O resultado também impõe uma nova configuração política ao país. O presidente terá de governar diante de um eleitorado dividido e de um Congresso com diferentes forças partidárias.
Em Santa Catarina, o resultado reforça a distinção entre a escolha majoritária do eleitorado estadual e a decisão nacional.
Lula terá Congresso mais à direita no quarto mandato
A vitória nas urnas garante a Luiz Inácio Lula da Silva mais quatro anos na Presidência da República, mas o novo mandato deverá enfrentar dificuldades na relação com o Congresso Nacional. As eleições de 2026 ampliaram a presença de parlamentares de direita tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada da Câmara, com 121 dos 513 deputados federais. No Senado, a sigla deverá contar com 29 dos 81 parlamentares, consolidando sua posição como principal força partidária da Casa.
Esse cenário exigirá do presidente maior capacidade de negociação para aprovar projetos, medidas econômicas, propostas orçamentárias e reformas que dependam de autorização legislativa, além dos nomes de ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Além da oposição de direita, Lula precisará negociar com partidos de centro, cujas bancadas poderão desempenhar papel decisivo nas votações.
A posse presidencial ocorrerá em 5 de janeiro de 2027, conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021. O quarto mandato de Lula seguirá até 5 de janeiro de 2031.
A nova composição do Congresso assumirá em 1º de fevereiro de 2027, quando também serão eleitas as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado.


