Paciente que recebeu polilaminina avança na reabilitação em Jaraguá do Sul

Primeira paciente de Jaraguá do Sul a receber a polilaminina de forma experimental para uma lesão medular, Eduarda Atkinson mantém uma rotina intensiva de fisioterapia após a aplicação realizada em março de 2026. O acompanhamento busca estimular funções motoras e sensoriais, fortalecer a musculatura e ampliar sua autonomia após um grave acidente de trânsito.

Eduarda sofreu o acidente em janeiro deste ano. Ela teve múltiplas fraturas nas regiões cervical e torácica da coluna, além de fraturas nos arcos costais. Uma das lesões atingiu a medula espinhal e resultou em paraplegia.

Pouco mais de dois meses depois, a paciente passou a integrar o protocolo de uso da polilaminina. A aplicação ocorreu após autorização judicial para participação no protocolo de pesquisa.

Por se tratar de um tratamento experimental, a própria paciente ressalta que o uso da substância não substitui o processo de reabilitação.

“Não existe milagre. Não é simplesmente receber a polilaminina e esperar pelo resultado. O tratamento é uma oportunidade, mas existe todo um processo de reabilitação depois dele”, afirma Eduarda.

Fisioterapia intensiva busca ampliar independência

A paciente realiza parte da reabilitação na Clínica-Escola de Fisioterapia da UniSociesc, em Jaraguá do Sul.

A instituição organizou uma sessão diária de atendimento seguindo o protocolo de fisioterapia intensiva indicado para pacientes submetidos ao tratamento com polilaminina.

Os atendimentos são realizados por estudantes do 8º semestre de Fisioterapia, sob supervisão da professora e coordenadora do curso, Nathana Zonta.

Segundo a professora, as atividades envolvem estímulos motores e sensoriais, fortalecimento muscular, equilíbrio, controle de tronco e desenvolvimento da independência funcional.

O trabalho também busca recuperar funções comprometidas pela lesão e melhorar a capacidade da paciente para executar atividades cotidianas.

polilaminina em Jaraguá do Sul
FOTO Ânima Educação Divulgação OEstadodeSC

Paciente relata evolução na rotina

Segundo informações do acompanhamento fornecidas pela instituição, a equipe observou redução da dor relacionada às fraturas, melhora do controle de tronco, aumento da força nos membros superiores e evolução da mobilidade no leito.

Eduarda também relata aumento da percepção tátil nas pernas e nos pés. Esses relatos, no entanto, fazem parte do acompanhamento individual e não permitem, isoladamente, atribuir os avanços à polilaminina.

Uma das principais mudanças percebidas pela paciente está na capacidade de permanecer sentada com maior independência.

“Quando comecei, eu não conseguia me sentar sozinha. Hoje consigo sentar na beira de uma cama ou de outros lugares com muito mais independência e estabilidade”, relata.

Além das sessões realizadas na clínica-escola, Eduarda afirma que passa por outros procedimentos de reabilitação, incluindo eletroestimulação.

Ela considera que a combinação das diferentes atividades tem contribuído para os avanços observados durante o processo.

Caso também contribui para formação de estudantes

O acompanhamento passou ainda a fazer parte da formação prática dos estudantes de Fisioterapia.

Durante as sessões, os acadêmicos acompanham a evolução funcional, discutem condutas clínicas e participam dos atendimentos sob supervisão docente.

Para Nathana, o caso permite aos estudantes relacionar conhecimentos teóricos com situações clínicas complexas e acompanhar um tratamento ainda em investigação.

“Eles acompanham um tratamento inovador, desenvolvem o raciocínio clínico, aprendem a trabalhar com base em evidências científicas e compreendem a importância da atuação humanizada”, afirma.

Eduarda reforça que a aplicação experimental representa apenas uma etapa de um processo mais amplo.

“É preciso trabalhar, repetir, estimular e ter paciência”, conclui.

Nota editorial: A polilaminina é apresentada nesta reportagem como tratamento experimental, conforme as informações fornecidas sobre o caso. Os avanços relatados durante a reabilitação não comprovam, isoladamente, eficácia ou relação causal com a substância.

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