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02, 05, 2026
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Justiça suspende licença ambiental de complexo portuário na Baía da Babitonga

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) obteve na Justiça a suspensão total dos efeitos da Licença Ambiental Prévia (LAP) nº 428/2026, concedida para a implantação de um complexo portuário na entrada da Baía da Babitonga, na Praia do Sumidouro, em São Francisco do Sul.

Na prática, a decisão impede que a empresa responsável e o órgão ambiental realizem qualquer ato com base na licença, além de determinar que a suspensão seja divulgada nos canais oficiais.

Justiça suspende licença de porto na Baía da Babitonga
FOTO MPSC Divulgação OEstadodeSC

Decisão aponta possíveis irregularidades

A medida liminar foi concedida nesta quarta-feira (18/3) e atende a uma ação civil pública movida pela 3ª Promotoria de Justiça da comarca e pela Promotoria Regional do Meio Ambiente.

Segundo o Ministério Público, há indícios de irregularidades no processo de licenciamento, como:

  • Reabertura indevida de procedimento já encerrado

  • Ausência de estudos obrigatórios

  • Postergação de impactos estruturais

  • Desconsideração de parecer técnico contrário à licença

A promotora de Justiça Raíza Alves Rezende destacou a importância do rigor no processo ambiental.

“Quando etapas fundamentais são ignoradas, o que se coloca em risco não é apenas o meio ambiente, mas a credibilidade do sistema de controle ambiental e a segurança das futuras gerações”, afirmou.

Riscos ambientais e impacto local

A ação aponta risco concreto de dano a um ecossistema sensível, composto por:

  • Manguezais

  • Restingas

  • Vegetação de Mata Atlântica em estágio avançado

  • Corredores ecológicos essenciais

Essas áreas são fundamentais para a proteção da biodiversidade, equilíbrio costeiro e abrigo de espécies ameaçadas.

Impactos sociais e econômicos

O Ministério Público também destacou possíveis impactos na pesca artesanal, atividade importante para a economia e cultura local.

Outros pontos citados incluem o aumento do tráfego na região e a ausência de previsão para a duplicação da BR-280, além da incompatibilidade do empreendimento com áreas de preservação permanente.

O promotor de Justiça Alexandre Schmitt dos Santos ressaltou que empreendimentos desse porte exigem rigor técnico.

“Ignorar critérios técnicos significa assumir riscos que não podem ser transferidos à sociedade”, afirmou.

Próximos passos

No mérito da ação, o MPSC pede:

  • A nulidade total da licença ambiental

  • Multa mínima de R$ 500 mil por dano moral coletivo

  • Que o licenciamento seja conduzido pelo Ibama, e não pelo órgão estadual

A investigação segue em andamento, e novas decisões podem ocorrer conforme o avanço do processo.

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