Setor da indústria de laticínios cresce 59% em Santa Catarina e chega a 1.186 empresas

Santa Catarina registrou um crescimento de 59% no número de fabricantes de laticínios nos últimos seis anos. Dados da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc) mostram que o setor passou de 744 empresas em 2020 para 1.186 em maio de 2026, um acréscimo de 442 negócios formalizados.

O resultado reforça a força da cadeia leiteira catarinense e consolida o estado como um dos principais polos de produção e industrialização de leite do país. O segmento engloba a fabricação de queijos, manteiga, creme de leite, iogurtes, leite em pó, bebidas lácteas, doces de leite e diversos derivados.

A evolução do setor foi constante ao longo dos últimos anos. Em 2021, Santa Catarina contabilizava 804 empresas do segmento. O número passou para 874 em 2022, chegou a 943 em 2023, alcançou 1.025 em 2024, avançou para 1.129 em 2025 e atingiu 1.186 empresas em maio deste ano.

indústria de laticínios em Santa Catarina
Foto: SecomGOVSC Divulgação OEstadodeSc

Empreendedorismo impulsiona expansão do setor

A maior parte das empresas registradas é formada por microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), evidenciando a presença do empreendedorismo em diversas regiões catarinenses.

Entre os municípios com mais fabricantes de laticínios, Florianópolis lidera com 71 empresas registradas. Na sequência aparecem Joinville (56), Blumenau (31), Itajaí (31), São José (28), Chapecó (25) e Jaraguá do Sul (21).

Segundo o Governo do Estado, a expansão está associada ao fortalecimento do ambiente de negócios, à formalização de pequenos produtores e aos investimentos voltados à cadeia produtiva do leite.

Queijaria catarinense virou referência internacional

Um dos exemplos desse crescimento é a Queijaria Boca da Serra, localizada nas proximidades de Rancho Queimado, na Grande Florianópolis.

indústria de laticínios em Santa Catarina
Foto: SecomGOVSC Divulgação OEstadodeSc

A empresária Daiani Borges conta que a produção começou de forma artesanal dentro da própria cozinha de casa, após experiências e visitas técnicas realizadas em Minas Gerais e São Paulo.

“Eu comecei a produzir queijo na cozinha da minha casa. Chegou um momento em que eu e meu marido decidimos transformar esse hobby em um empreendimento”, relata.

A empresa foi oficialmente consolidada em 2023 e atualmente produz queijos artesanais com foco em identidade regional, qualidade e alto padrão sanitário.

O crescimento levou a queijaria a conquistar reconhecimento internacional. Em 2025, o queijo Serramar recebeu medalha de prata no World Cheese Awards, uma das principais premiações do setor.

“Quando eu comecei a produzir era com 50 litros de leite. Hoje chegamos a um ponto em que estou deixando de vender porque não consigo aumentar a produção”, afirma Daiani.

Santa Catarina é o quarto maior produtor de leite do país

Além da expansão industrial, Santa Catarina mantém posição de destaque na produção leiteira nacional. O estado é atualmente o quarto maior produtor de leite do Brasil, respondendo por mais de 9% da produção nacional.

São cerca de 3,3 bilhões de litros produzidos anualmente, movimentando mais de 20 mil produtores rurais em todas as regiões catarinenses.

Dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) mostram que, entre 2014 e 2023, a produção estadual cresceu 7,5%, movimento que contrasta com a redução observada em algumas regiões brasileiras.

Programas incentivam produtores e indústrias

Para fortalecer a cadeia produtiva, o Governo de Santa Catarina mantém programas voltados ao setor.

Entre eles está o Programa Leite Bom SC, que prevê investimentos de R$ 300 milhões entre 2024 e 2027 para apoiar produtores rurais e indústrias do segmento.

Outra iniciativa é o Programa Terra Boa, que incentiva a recuperação e o aprimoramento das áreas de pastagem utilizadas na produção leiteira.

Além dos investimentos, o estado também se destaca na área sanitária. Santa Catarina é a única unidade da federação classificada com risco A para brucelose bovina e figura entre os quatro estados com menor risco de tuberculose bovina, fatores considerados importantes para a qualidade da produção leiteira.

Setor deve continuar em expansão

A expectativa é de que o setor mantenha o ritmo de crescimento nos próximos anos, impulsionado pela formalização de pequenos negócios, pela inovação tecnológica e pela valorização dos produtos catarinenses.

Para o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Leodegar Tiscoski, o avanço demonstra o fortalecimento do empreendedorismo e da economia regional.

“O dado de 1.186 empresas registradas no setor de laticínios mostra que Santa Catarina está no caminho certo: mais empreendedorismo, mais formalidade e mais desenvolvimento para o estado”, destacou.

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