A expansão do enoturismo vem consolidando a Serra Catarinense como um dos principais polos brasileiros de vinhos de altitude. Em São Joaquim, o movimento tem impulsionado investimentos que vão além da produção vitivinícola, integrando gastronomia, hospedagem e experiências voltadas ao turismo rural.
Esse cenário é vivido pela Vinhedos do Monte Agudo, empreendimento familiar que alia a elaboração de vinhos à recepção de visitantes e que acompanha de perto o crescimento do setor na região.
Para o diretor da vinícola e sommelier Leônidas Rojas Ferraz, a evolução do turismo ligado ao vinho tornou-se um dos principais motores do desenvolvimento econômico local.
“O enoturismo em São Joaquim cresce a cada ano e fortalece toda a região.”
Da produção ao turismo de experiência
A história da Vinhedos do Monte Agudo começou em 2004, quando a família adquiriu uma propriedade na localidade conhecida como Morro Agudo, em São Joaquim. O plantio dos primeiros vinhedos ocorreu no ano seguinte, após a chegada de mudas importadas da França, e a primeira safra comercial foi lançada em 2008.
Inicialmente voltada exclusivamente à produção de vinhos, a vinícola ampliou sua atuação em 2013 ao investir em experiências de enogastronomia, tornando-se uma das pioneiras da Serra Catarinense nesse segmento.
Hoje, o empreendimento oferece degustações orientadas, harmonizações, piqueniques, eventos, casamentos e o tradicional Sunset Wine & Music, que reúne música ao vivo, gastronomia e degustações ao pôr do sol.
O restaurante da vinícola trabalha com um menu renovado mensalmente, elaborado a partir de ingredientes produzidos ou tradicionais da Serra Catarinense, como pinhão, truta, cogumelos e maçã.
Modelo familiar impulsiona identidade da marca
Toda a operação permanece sob gestão da família.
Leônidas deixou a carreira na Engenharia Mecânica para dedicar-se integralmente ao negócio em 2016, quando o crescimento da vinícola passou a exigir atuação exclusiva.
A chef responsável pela gastronomia é uma tia do empresário; uma das irmãs responde pela enologia, enquanto outra atua na área comercial. O pai participa do atendimento aos visitantes.
Segundo o sommelier, essa gestão familiar contribui para oferecer uma experiência mais próxima e personalizada.
Produção prioriza qualidade
A Vinhedos do Monte Agudo produz atualmente entre 20 mil e 30 mil garrafas por ano, distribuídas em dez rótulos elaborados com variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Chardonnay e Sauvignon Blanc.
A empresa prepara ainda o lançamento de um vinho elaborado com Riesling Renano.
Mais do que ampliar o volume produzido, a estratégia é manter o foco na qualidade e no posicionamento dos vinhos de altitude produzidos na Serra Catarinense.
Entre os rótulos de maior destaque está um Chardonnay maturado por 14 meses em barricas de carvalho francês.
Os vinhos da casa acumulam premiações em concursos nacionais e internacionais e passam a integrar a certificação da Indicação Geográfica dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina, selo que reconhece características específicas da produção regional.
Sommelier aproxima o consumidor do vinho
Durante a entrevista, Leônidas destacou que o trabalho do sommelier vai além da recomendação de rótulos.
Enquanto o enólogo é responsável pelo processo produtivo, o sommelier atua diretamente na experiência do consumidor, auxiliando na harmonização, na escolha do vinho e na compreensão das características de cada produto.
“O enólogo vai da uva até a garrafa. O sommelier vai da garrafa até a mesa.”
Para ele, a melhor escolha depende do perfil de cada consumidor, e não apenas de avaliações técnicas.
Próximo passo é ampliar a estrutura turística
Embora a maior parte dos visitantes venha de Santa Catarina, a vinícola registra crescimento constante na presença de turistas de estados como São Paulo e Rio de Janeiro.
O aumento da procura levou a família a estudar novos investimentos voltados à hospedagem, com projetos de pousadas, chalés ou cabanas integradas à experiência do enoturismo.
Na avaliação de Leônidas, esse movimento acompanha uma tendência observada em toda a Serra Catarinense, onde a produção de vinhos passa a dividir espaço com um turismo de experiência cada vez mais estruturado.
Com clima favorável, altitude superior a mil metros em diversas áreas e produtores investindo em qualidade e inovação, a região amplia sua participação no mercado nacional e fortalece sua imagem como um dos principais destinos brasileiros para apreciadores de vinho e gastronomia.
“A produção acompanha o crescimento das vendas e do turismo. Nosso próximo passo será investir em novas experiências para quem visita a Serra.”
Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, além das rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.


