SC se despede de Manoel Dias, ex-ministro e referência histórica do trabalhismo, aos 88 anos

Santa Catarina se despede de Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho e Emprego, ex-deputado estadual e um dos fundadores do PDT. Conhecido como Maneca, ele morreu neste sábado (22), aos 88 anos, em Florianópolis. O político estava hospitalizado após o agravamento do estado de saúde decorrente de um AVC sofrido em 2025.

O velório será realizado nesta segunda-feira (24), das 10h às 15h, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. A despedida ocorre na data que marca os 72 anos da morte do ex-presidente Getúlio Vargas, figura central na formação do trabalhismo brasileiro, corrente política à qual Manoel Dias dedicou grande parte de sua trajetória.

A morte provocou manifestações de lideranças políticas de Santa Catarina e do país. O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, decretou luto oficial de três dias.

Do Sul de SC à política nacional

Nascido em 1938 em Içara, que na época ainda era distrito de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, Manoel Dias iniciou sua trajetória política como vereador pelo PTB, em 1962. Sua trajetória política atravessou diferentes períodos da história brasileira.

Após o golpe militar de 1964, teve o mandato de vereador cassado e ficou preso. Mais tarde, participou da construção do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Santa Catarina.

Em 1966, foi eleito deputado estadual e integrou a 6ª Legislatura da Assembleia Legislativa. Também foi deputado constituinte estadual em 1967.

Em 1969, após o AI-5, teve novamente os direitos políticos cassados. Manoel Dias ficou com os direitos políticos suspensos por dez anos e, ao longo do período da ditadura, foi preso político por 11 meses.

Advogado, também atuou como auditor da Previdência Social.

Manoel Dias ajudou a fundar o PDT

Com a abertura política e a reorganização partidária, Manoel Dias se aproximou de Leonel Brizola e participou da criação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), em 1980.

A partir daí, sua trajetória ficou fortemente associada à legenda e ao trabalhismo. Maneca presidiu o PDT em Santa Catarina, exerceu funções na direção nacional e comandou a Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, ligada à formação política do partido.

Ao longo da carreira, também disputou eleições para outros cargos, entre eles governador e vice-governador. A atuação partidária levou Manoel Dias posteriormente ao primeiro escalão do governo federal.

Catarinense comandou Ministério do Trabalho

Em 15 de março de 2013, Manoel Dias assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego durante o governo da então presidente Dilma Rousseff. Permaneceu à frente da pasta até 2 de outubro de 2015.

A passagem pelo governo federal colocou o político catarinense em uma das principais funções públicas de sua trajetória, depois de décadas dedicadas à política estadual e à organização partidária. Mesmo após deixar o ministério, Manoel Dias continuou ligado à direção e às atividades do PDT.

Morte repercute entre lideranças políticas

A morte de Manoel Dias gerou manifestações de diferentes lideranças. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, destacou a participação do catarinense na formação do partido e na organização dos núcleos de base. Para Lupi, o legado de Maneca continuará como referência para novas gerações da legenda.

O presidente estadual do PDT, deputado Rodrigo Minotto, chamou Manoel Dias de “pai político” e destacou a relação pessoal e partidária construída entre os dois.

“Hoje, não me despeço apenas de um dos maiores nomes da história do trabalhismo catarinense e brasileiro. Despeço-me do meu pai político, amigo, companheiro, conselheiro e mestre”,

afirmou Minotto.

Segundo o deputado, Manoel Dias teve influência direta em sua formação política.

“Foi com Manoel que aprendi a fazer política com responsabilidade, ética e compromisso”,

declarou.

PDT destaca defesa da democracia e dos trabalhadores

Em nota oficial, o PDT de Santa Catarina classificou Manoel Dias como uma das principais referências históricas do trabalhismo no Estado e no país.

A legenda ressaltou sua atuação na fundação e consolidação do partido, além da resistência durante o regime militar.

“Manoel não foi apenas um dos fundadores do PDT ao lado de Leonel Brizola. Foi parte essencial da construção, da consolidação e da identidade do nosso partido em Santa Catarina e no Brasil”,

diz trecho da manifestação.

O Campo Democrático, formado por partidos que atuam conjuntamente no cenário eleitoral catarinense, também divulgou nota de pesar e ressaltou a trajetória de Manoel Dias durante a ditadura e a redemocratização.

A ex-deputada estadual Ada de Luca, cunhada de Maneca, também se manifestou. “Tinha-o como um irmão”, declarou.

Velório será nesta segunda-feira na Alesc

A despedida de Manoel Dias será realizada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina nesta segunda-feira (24).

A escolha da Alesc tem relação direta com uma das etapas mais importantes da trajetória política de Maneca, que exerceu mandato de deputado estadual antes de ser cassado durante a ditadura.

Manoel Dias deixa a esposa, Dalva de Luca Dias, os filhos Rodrigo e Marcelo, noras e netos.

Serviço

Velório de Manoel Dias
Quando: segunda-feira, 24 de agosto
Horário: das 10h às 15h
Local: Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc)
Cidade: Florianópolis

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