O avanço dos casos de abigeato, crime caracterizado pelo furto de animais no campo, tem levado produtores rurais a reforçar a segurança das propriedades. Em áreas extensas, tecnologias de rastreamento e monitoramento surgem como complemento às cercas, rondas e controles de acesso.
O desafio é acompanhar animais distribuídos por centenas de hectares e perceber rapidamente movimentações fora da rotina. Além da segurança patrimonial, as novas ferramentas auxiliam no inventário e na gestão do rebanho.
Rio Grande do Sul registrou mais de 1,3 mil ocorrências
Segundo dados apresentados pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, o estado registrou mais de 1.300 ocorrências de abigeato no primeiro semestre de 2026.
O número representa crescimento de 8% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Embora o material não apresente um levantamento nacional consolidado, o furto de animais permanece como preocupação para produtores de importantes regiões pecuárias.
Para Bruno Nolasco, gerente de negócios agro da Belgo Arames, a extensão das propriedades amplia as dificuldades de vigilância.
“São quilômetros de cercas, diferentes áreas de pastagem e animais espalhados por grandes distâncias. Cercas, controle de acesso e rondas continuam sendo fundamentais, mas o produtor também precisa de informações que permitam acompanhar o que acontece além do seu campo de visão”,
afirma.
Segundo Nolasco, ações criminosas também podem envolver observação prévia da rotina da propriedade e de possíveis vulnerabilidades.
Tecnologia amplia controle sobre movimentação dos animais

Ferramentas digitais vêm sendo incorporadas às estratégias de gestão e combate ao abigeato.
Os sistemas podem ajudar a acompanhar a movimentação do gado, realizar inventários e identificar comportamentos diferentes da rotina esperada. Os registros também podem fornecer informações úteis caso uma ocorrência precise ser investigada.
“Quanto mais rápido o produtor identifica uma situação incomum, maior sua capacidade de reação. A tecnologia funciona como uma extensão da observação humana, ampliando a visibilidade sobre áreas que muitas vezes estão distantes da sede da fazenda”,
explica Nolasco.
O monitoramento, porém, não elimina a necessidade das medidas tradicionais de proteção da propriedade.
Sistema usa brincos eletrônicos, antenas e inteligência artificial
Entre as soluções disponíveis está o Instabov Autotag, desenvolvido pela agtech Instabov com apoio da Belgo Arames. Segundo as empresas, a plataforma combina brincos eletrônicos instalados nos animais, antenas e aplicativo integrado à inteligência artificial.
O objetivo é automatizar o inventário e fornecer informações sobre a movimentação do rebanho ao longo do tempo. Recentemente, a solução passou a contar com conectividade via satélite. Conforme as informações divulgadas pelas empresas, a cobertura por antena passou de aproximadamente 15 para até 1.000 hectares.
A mudança busca permitir o funcionamento também em propriedades com pouca ou nenhuma cobertura convencional de internet.
Monitoramento também auxilia gestão do rebanho
Além da segurança, a tecnologia tem aplicações na administração da propriedade. Segundo os desenvolvedores, o sistema permite realizar contagens de estoque até 30 vezes mais rapidamente do que métodos convencionais.
A disponibilidade de dados atualizados pode auxiliar o produtor a acompanhar o número de animais e observar mudanças na dinâmica do rebanho. Para Nolasco, essas ferramentas devem funcionar como uma camada adicional de proteção, sem substituir os demais cuidados.
“A tecnologia não substitui cercas, controle de acesso, rondas ou a atuação das forças de segurança. Seu papel é complementar essas medidas, ampliando a capacidade de monitoramento do patrimônio”,
afirma.
Segurança no campo combina prevenção e informação
A adoção de novas tecnologias mostra como a segurança rural passa a incorporar ferramentas que já são utilizadas na gestão da atividade pecuária.
Em propriedades extensas, identificar rapidamente alterações na movimentação do gado pode reduzir o tempo necessário para que o produtor perceba uma situação fora do padrão. A prevenção ao abigeato, no entanto, continua dependendo da combinação de medidas. Cercas adequadas, controle de acesso, acompanhamento da propriedade e acionamento das autoridades em caso de suspeita permanecem fundamentais.
As tecnologias de rastreamento acrescentam uma nova possibilidade: ampliar a capacidade de observação do rebanho mesmo quando os animais estão longe da sede da propriedade.


