Polícia Civil mira grupo de hackers e Justiça determina bloqueio de até R$ 93 milhões

A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou a Operação ClickFix, que investiga uma organização criminosa suspeita de realizar ataques cibernéticos contra órgãos públicos, empresas e usuários de computadores. A ação ocorreu em 10 de setembro e resultou no cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias até R$ 93 milhões e o sequestro de R$ 5 milhões em imóveis.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), vinculada à Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), com apoio de instituições de Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e do Ministério da Justiça.

Golpe usava falsos alertas para invadir computadores

Segundo as investigações, o grupo utilizava a técnica conhecida como ClickFix, que induz usuários a executar comandos maliciosos em seus próprios dispositivos.

O golpe começava com mensagens falsas de erro no navegador. Ao tentar corrigir o suposto problema, a vítima era orientada a copiar e colar códigos no terminal do sistema operacional, permitindo que os criminosos assumissem o controle do equipamento.

Os investigados também enviavam falsas intimações em nome de órgãos policiais brasileiros, incluindo a própria Polícia Civil catarinense.

Conforme a investigação, os ataques permitiram acesso a credenciais de sistemas policiais e do Poder Judiciário, além de informações sensíveis de empresas ligadas ao mercado financeiro.

Polícia apreende criptomoedas e veículos de luxo

Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu aproximadamente US$ 1,49 milhão em criptomoedas, equivalente a cerca de R$ 7,66 milhões.

Segundo a corporação, trata-se da maior apreensão de criptoativos provenientes de carteiras de autocustódia já registrada entre as polícias civis brasileiras.

Os valores foram transferidos para uma conta institucional da Polícia Civil de Santa Catarina na plataforma Foxbit, com suporte da empresa Chainalysis, especializada em análise de blockchain.

Também foram apreendidos veículos de luxo, incluindo um Corvette avaliado em mais de R$ 1,5 milhão.

Justiça determina bloqueio milionário

Além das apreensões, a Justiça determinou o sequestro de R$ 5 milhões em imóveis urbanos que, segundo a investigação, teriam sido adquiridos com recursos ilícitos.

O bloqueio de contas bancárias foi autorizado até o limite de R$ 93 milhões, valor relacionado a movimentações financeiras consideradas suspeitas e incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

A operação contou com o apoio da Polícia Científica de Santa Catarina, do Ministério da Justiça e das Polícias Civis de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

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