Com 561 quilômetros de costa e milhões de moradores e turistas, Santa Catarina exige manutenção constante da rede elétrica. Força-tarefa em Laguna retirou quatro quilômetros de cabos deteriorados para prevenir falhas no Verão.
A combinação entre a agressividade da maresia, a extensa rede elétrica exposta às condições climáticas e o crescimento expressivo da população durante a temporada de Verão representa um dos grandes desafios para o fornecimento de energia em Santa Catarina. Com 561 quilômetros de Litoral, o estado precisa conciliar a expansão da infraestrutura elétrica com a manutenção permanente de equipamentos sujeitos à corrosão e ao desgaste natural.
Um exemplo desse trabalho ocorreu no domingo (18), quando a Celesc mobilizou 20 profissionais para uma operação na linha de transmissão entre Imbituba e Laguna, no Sul catarinense. Durante nove horas, equipes de quatro regiões do estado trabalharam na retirada de quatro quilômetros de cabos de cobertura deteriorados pela maresia.
A intervenção integra as ações preventivas da companhia para preparar o sistema elétrico para o próximo Verão, período em que a população das cidades litorâneas cresce com a chegada de turistas e proprietários de imóveis de temporada.

Litoral reúne população e infraestrutura estratégica
A costa catarinense se estende de Itapoá, no Norte, até Passo de Torres, na divisa com o Rio Grande do Sul. Ao longo desse território estão importantes centros urbanos e turísticos, como São Francisco do Sul, Itajaí, Balneário Camboriú, Itapema, Florianópolis, Garopaba, Imbituba e Laguna.
Além da população residente, essas cidades recebem um contingente expressivo de visitantes durante o verão, ampliando o consumo de energia em residências, hotéis, pousadas, restaurantes, estabelecimentos comerciais e serviços.
O crescimento da demanda ocorre principalmente pelo uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado, refrigeradores, equipamentos de refrigeração comercial e outros sistemas elétricos.
O desafio vai além da quantidade de energia disponível. É necessário garantir que linhas de transmissão, subestações, transformadores e redes de distribuição suportem as condições ambientais e as variações de consumo.
A exposição permanente à umidade, ao vento e à salinidade exige atenção especial às estruturas instaladas próximas ao oceano, especialmente componentes metálicos e conexões elétricas.

Maresia acelera desgaste de equipamentos
A maresia é formada por pequenas partículas de água salgada transportadas pelo vento. Quando depositadas sobre superfícies metálicas, essas partículas favorecem processos de corrosão, principalmente em ambientes úmidos.
Na rede elétrica, o problema pode comprometer cabos, conectores, ferragens, suportes e outros componentes, reduzindo sua vida útil e aumentando a necessidade de inspeções e substituições.
A exposição prolongada pode provocar deterioração de materiais e elevar o risco de falhas mecânicas e elétricas. Por isso, a manutenção preventiva é especialmente importante em regiões costeiras.
Em Laguna, a Celesc identificou a necessidade de retirar cabos de cobertura utilizados como proteção contra descargas atmosféricas. Segundo a companhia, a deterioração desses componentes poderia comprometer sua função e oferecer risco de rompimento.
“Retiramos 4 km de cobertura dos cabos em Laguna. Como a nossa região acaba sofrendo muito com os impactos da maresia, esse procedimento acaba sendo importante para aumentar a resiliência da nossa rede elétrica”,
explicou Giocondo Tasso, gerente da Agência Regional de Tubarão.
A Celesc informou que pretende reinstalar a proteção após o encerramento da temporada de Verão.

Operação envolveu equipes de quatro regiões
A força-tarefa em Laguna começou à 1h da madrugada de domingo e terminou às 10h da manhã. Participaram técnicos e eletricistas da Agência Regional de Tubarão, com reforço de profissionais deslocados de Joinville, Florianópolis e Lages.
Para a execução do serviço, foi necessário desligar temporariamente a subestação de Laguna. Entretanto, os consumidores permaneceram abastecidos durante toda a intervenção.
O fornecimento foi mantido por outras subestações, graças à possibilidade de transferência de carga pela rede de média tensão.
Essa capacidade operacional permite que determinados circuitos sejam alimentados por caminhos alternativos, reduzindo o impacto de manutenções programadas e aumentando a flexibilidade do sistema.
A operação demonstra a importância de uma rede interligada e de equipes especializadas para executar intervenções sem comprometer o atendimento à população.
Verão aumenta pressão sobre o sistema elétrico
A preparação da infraestrutura ganha importância diante das características da temporada catarinense. Além do crescimento da população flutuante, o verão apresenta maior ocorrência de temporais, ventos fortes e descargas atmosféricas.
A combinação de consumo elevado e condições climáticas adversas exige planejamento para reduzir riscos de interrupções e permitir respostas rápidas quando ocorrem danos à rede.
Em programas anteriores de preparação para a alta temporada, a Celesc adotou medidas como reforço das equipes de emergência, ampliação de subestações, instalação de equipamentos móveis, modernização de circuitos e manutenção preventiva.
Essas ações procuram atender tanto às necessidades dos moradores quanto à atividade econômica associada ao turismo, um dos principais setores do litoral catarinense.
Para hotéis, restaurantes, supermercados e empresas que dependem de refrigeração, por exemplo, a estabilidade no fornecimento de energia também representa segurança operacional e redução dos riscos de prejuízos.
Manutenção preventiva é essencial para a segurança
O trabalho realizado em Laguna evidencia uma necessidade permanente em toda a faixa costeira de Santa Catarina: acompanhar o envelhecimento dos equipamentos e antecipar intervenções antes que a deterioração provoque falhas.
A retirada dos quatro quilômetros de cobertura é uma medida localizada, mas ilustra a dimensão do desafio enfrentado pelas concessionárias de energia em ambientes marítimos.
Com uma população estadual superior a oito milhões de habitantes, cidades litorâneas em expansão e intensa circulação de turistas nos meses mais quentes, a qualidade do fornecimento depende de investimentos contínuos, capacidade operacional e planejamento de longo prazo.
Nesse cenário, a manutenção preventiva deixa de ser apenas uma atividade técnica e passa a integrar a infraestrutura essencial para a segurança da população, o funcionamento das cidades e o desenvolvimento econômico de Santa Catarina.


