Escolher plantas para as regiões frias de Santa Catarina exige atenção especial ao clima. A preocupação vale para a Serra Catarinense, áreas altas do Sul do estado e municípios do Planalto, inclusive ao longo do corredor da BR-116.
Nessas regiões, jardins podem enfrentar geadas, ventos fortes e temperaturas negativas durante o inverno. Dependendo do local, características do solo, altitude, exposição ao vento e umidade também interferem diretamente no desenvolvimento das plantas.
Por isso, espécies rústicas e adaptadas ao frio são alternativas para quem pretende montar jardins em residências, pousadas, hotéis, restaurantes, cafés e outros estabelecimentos.
Hortênsias, camélias, azaleias, lavandas e amor-perfeito estão entre as possibilidades.
Frio intenso não é exclusividade da Serra Catarinense
Quando se fala em frio em Santa Catarina, municípios da Serra Catarinense, como São Joaquim, Urubici, Bom Jardim da Serra e Lages, aparecem naturalmente entre as principais referências.
Mas as condições de altitude e baixas temperaturas alcançam outras partes do estado.
Áreas elevadas mais ao Sul e municípios do Planalto catarinense também registram invernos rigorosos. O corredor da BR-116, que atravessa o interior de Santa Catarina entre Paraná e Rio Grande do Sul, passa por uma extensa região sujeita ao frio.
Isso amplia o território onde a escolha das plantas precisa levar em consideração geadas e temperaturas baixas.
Mesmo dentro de um único município, porém, as condições podem mudar conforme altitude, relevo, incidência solar e exposição aos ventos.
Hortênsia é uma das marcas das regiões serranas
A hortênsia (Hydrangea macrophylla) está fortemente associada às paisagens frias e serranas.
Durante os meses mais quentes, seus grandes conjuntos de flores ajudam a formar caminhos, jardins e maciços coloridos.
A planta pode ser utilizada em residências, propriedades rurais e empreendimentos turísticos.
Em áreas comerciais, funciona especialmente bem em jardins maiores, acessos de pousadas e espaços externos de restaurantes.
O comportamento e a coloração das flores também podem ser influenciados pelas características químicas do solo.
Camélia traz flores durante os meses frios
A camélia (Camellia japonica) oferece uma característica interessante para o paisagismo de regiões frias: sua floração ocorre durante o período mais frio do ano.
Pode ser plantada diretamente no solo ou utilizada em vasos grandes.
Em pousadas, restaurantes e hotéis, pode funcionar como planta de destaque próxima a entradas, recepções e áreas externas.
Suas folhas também mantêm valor ornamental fora do período de floração.
Azaleias combinam com jardins do Planalto e das serras
A azaleia (Rhododendron simsii) é outra opção para compor jardins em regiões de inverno mais rigoroso.
Pode ser utilizada em cercas vivas baixas, canteiros ou vasos.
Sua floração ajuda a trazer cor para espaços que passam boa parte do inverno submetidos a temperaturas baixas.
Para estabelecimentos comerciais, pode ser combinada com espécies de folhagem permanente, criando uma composição que se modifica conforme as estações.
Lavanda é opção para áreas ensolaradas e bem drenadas

A lavanda (Lavandula angustifolia) pode ser usada para delimitar caminhos, formar pequenos conjuntos ou ocupar vasos em entradas.
A espécie prefere áreas ensolaradas e solos com boa drenagem.
O cuidado com o excesso de água é importante, especialmente em locais onde frio e umidade aparecem juntos.
Além da aparência, o aroma é um atrativo para jardins de pousadas, cafés, restaurantes e propriedades ligadas ao turismo rural.
Flores menores ajudam a colorir o inverno
Para vasos, floreiras e pequenos canteiros, espécies de menor porte permitem renovar o paisagismo conforme a estação.
O amor-perfeito (Viola tricolor) é uma das opções para os períodos mais frios.
Pode ser usado em floreiras de janelas, vasos próximos às entradas e bordaduras.
A prímula (Primula acaulis) (Foto abaixo) também oferece variedade de cores e pode ocupar espaços menores, inclusive áreas de meia-sombra.

Outra possibilidade é o ciclame (Cyclamen), utilizado principalmente em vasos e composições ornamentais durante períodos de temperaturas mais baixas.
Gerânios ajudam a compor fachadas e varandas
O gerânio (Pelargonium) é bastante utilizado em vasos, floreiras e jardineiras.
Essa característica permite explorar fachadas, sacadas e varandas sem depender exclusivamente de grandes áreas de jardim.
Em pousadas, cafés e restaurantes, os vasos podem ser distribuídos em janelas e áreas de circulação.
Já o agapanto (Agapanthus africanus) pode ser empregado para criar volume em canteiros e marcar caminhos.
Plantas rústicas são alternativas para terrenos difíceis
Nem todo jardim das áreas altas de Santa Catarina está instalado em terreno profundo e fértil.
Dependendo da região, podem existir áreas com solos rasos, ácidos, pedregosos ou com limitações de nutrientes.
Plantas rústicas ganham importância nesses ambientes.
Espécies associadas aos campos e bromélias terrestres do gênero Dyckia podem integrar jardins de pedra e projetos que buscam uma aparência mais natural.
O uso de plantas nativas adequadas à região também pode aproximar o paisagismo da identidade local.
A escolha, entretanto, deve considerar a espécie específica e as condições de cada terreno.
Como escolher plantas para regiões frias de Santa Catarina
Não basta olhar apenas a temperatura mínima registrada na cidade.
Antes de escolher as mudas, é importante observar as condições do próprio terreno:
- altitude e intensidade das geadas;
- quantidade diária de sol;
- exposição aos ventos;
- drenagem depois de períodos de chuva;
- características do solo;
- espaço disponível para a planta adulta;
- necessidade de manutenção;
- cultivo diretamente no solo ou em vasos.
Uma planta instalada ao lado de uma parede protegida pode enfrentar condições diferentes de outra localizada em um terreno aberto e exposto ao vento, mesmo estando na mesma propriedade.
Vasos precisam de atenção especial à drenagem
O acúmulo de água pode comprometer as raízes, especialmente quando associado a baixas temperaturas.
Por isso, vasos precisam permitir a saída adequada da água.
Substratos leves e bem estruturados ajudam a evitar compactação e excesso de umidade.
Vasos de concreto e cerâmica também são opções para estabelecimentos que procuram integrar o paisagismo à arquitetura serrana.
O tamanho do recipiente deve ser compatível com o desenvolvimento das raízes.
Casas, pousadas e restaurantes podem combinar espécies
Uma estratégia para reduzir manutenção é dividir o jardim entre espécies estruturais e plantas sazonais.
Camélias, azaleias e outros arbustos podem formar a estrutura permanente.
Amor-perfeito, prímulas e outras flores menores podem renovar pontos específicos conforme a época do ano.
Lavandas e agapantos ajudam a marcar caminhos, enquanto hortênsias podem formar conjuntos maiores em áreas com espaço adequado.
Para pousadas, hotéis, cafés e restaurantes, essa composição também permite manter áreas fotogênicas em diferentes épocas do ano sem substituir todo o paisagismo.
Altitude e microclima fazem diferença em Santa Catarina
Santa Catarina possui diferenças significativas de relevo e altitude. Por isso, uma espécie que se desenvolve bem em determinado ponto do Planalto pode apresentar comportamento diferente em outra área serrana.
A ocorrência de geadas, intensidade do vento, horas de sol e disponibilidade de água precisam ser avaliadas localmente.
Nas áreas mais altas da Serra Catarinense, nas elevações do Sul e em pontos frios do Planalto e do corredor da BR-116, a rusticidade deve estar entre os principais critérios de escolha.
Assim, o paisagismo pode unir estética, identidade regional e maior capacidade de enfrentar o inverno catarinense.
Para jardins maiores, propriedades turísticas ou locais sujeitos a condições extremas, a orientação de um profissional de paisagismo ou agronomia pode ajudar a definir espécies e cultivares adequadas ao microclima da propriedade.


