Operação apura fraude fiscal que pode superar R$ 500 milhões em SC

Uma investigação sobre a geração indevida de créditos de ICMS e possível lavagem de capitais levou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a deflagrar, nesta quinta-feira (20), a Operação Labirinto Fiscal. Segundo a Secretaria de Estado da Fazenda, as irregularidades apuradas podem ter provocado prejuízo superior a R$ 500 milhões aos cofres públicos.

A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em apoio à 6ª Promotoria de Justiça de Criciúma.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Tubarão, no Sul de Santa Catarina, e Manaus, capital do Amazonas. As ordens foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas.

Investigação aponta operações entre empresas do mesmo núcleo

Operação Labirinto Fiscal
FOTO MPSC Divulgação OEstadodeSC

O foco da investigação está em operações comerciais realizadas entre empresas que, segundo a apuração, estariam vinculadas ao mesmo núcleo empresarial.

Uma fabricante teria adquirido insumos de outra empresa ligada ao grupo e sediada em Manaus. A suspeita é de que essas mercadorias fossem superfaturadas.

Com valores maiores registrados nas operações, os créditos tributários decorrentes das transações também seriam ampliados artificialmente. O mecanismo teria permitido a geração indevida de créditos de ICMS e, consequentemente, vantagens fiscais.

A investigação também apura possíveis crimes contra a ordem tributária e lavagem de capitais.

As informações divulgadas até o momento fazem parte de uma investigação em andamento. Não há, no material disponibilizado pelo MPSC, indicação de conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados.

Fazenda estima possível prejuízo acima de R$ 500 milhões

A dimensão financeira é um dos principais pontos da Operação Labirinto Fiscal. Conforme informações da Secretaria de Estado da Fazenda, as irregularidades investigadas podem representar mais de R$ 500 milhões em prejuízos aos cofres públicos.

A apuração busca identificar como as operações entre as empresas eram estruturadas e reconstruir o caminho percorrido pelos recursos.

A conexão entre Santa Catarina e Amazonas também integra o trabalho dos investigadores. Segundo a apuração, empresas vinculadas ao mesmo grupo econômico e estabelecidas em estados diferentes estariam envolvidas nas operações comerciais e financeiras investigadas.

Por que a operação recebeu o nome de Labirinto Fiscal?

O nome da operação faz referência à complexidade do suposto esquema identificado durante a investigação.

De acordo com o MPSC, as operações comerciais e financeiras estariam interligadas. Os diferentes caminhos utilizados na movimentação dos recursos e na geração dos supostos créditos tributários fraudulentos teriam dificultado a identificação das relações empresariais.

A investigação tenta justamente reconstruir essas conexões para esclarecer a dinâmica das operações.

Os materiais recolhidos durante os 13 mandados de busca e apreensão serão submetidos à análise pericial. Os resultados passarão a integrar o conjunto de elementos da investigação.

GAECO reúne diferentes órgãos de Santa Catarina

O GAECO é uma força-tarefa integrada pelo Ministério Público de Santa Catarina, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar.

O grupo atua na identificação, prevenção e repressão à atuação de organizações criminosas no estado.

A investigação da Operação Labirinto Fiscal prossegue após o cumprimento dos mandados.

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