O assassinato de Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, transformou um crime ocorrido em Sangão, no Sul de Santa Catarina, em um caso de repercussão nacional. Estudante de Ciências Biológicas, a jovem foi encontrada morta na segunda-feira (10), na casa do namorado, José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos.
José Gustavo confessou à Polícia Civil ter aplicado um golpe conhecido como “mata-leão” na jovem. Preso preventivamente, ele é investigado por feminicídio.
Nos dias seguintes à descoberta do corpo, novos elementos divulgados pela investigação e relatos da família de Joviana ampliaram a repercussão do caso: o corpo permaneceu dentro da residência durante o fim de semana e, segundo a apuração policial, mensagens foram enviadas pelo celular da vítima enquanto familiares tentavam descobrir onde ela estava.
A defesa de José Gustavo também se manifestou. Os advogados afirmam que a mãe e a avó do investigado, que moravam na mesma residência, não tinham conhecimento do ocorrido e que foram elas que o conduziram à delegacia depois de saberem dos fatos.
Joviana começava uma nova etapa da vida
Joviana tinha 19 anos, trabalhava como operadora de máquinas e havia iniciado recentemente o curso de Ciências Biológicas na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).
As aulas tinham começado apenas uma semana antes do crime.
Amigas descreveram Joviana como uma jovem livre, curiosa e afetuosa. Ela tinha planos de viajar pelo mundo e realizar trabalho voluntário na África.
Joviana e José Gustavo mantiveram um relacionamento por cerca de cinco meses.
Segundo relatos da irmã da jovem, o namoro era conturbado e envolvia episódios de ciúmes e comportamento controlador. A família afirma que ele tentava interferir até mesmo nas roupas usadas pela jovem.
O casal havia terminado o relacionamento no fim de julho, mas continuava se encontrando.
O que a polícia apurou sobre a noite do crime
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, o crime ocorreu entre a noite de quinta-feira (6) e a madrugada de sexta-feira (7).
Joviana havia saído com amigos e depois seguiu para a residência de José Gustavo.
No local, os dois teriam iniciado uma discussão depois que a jovem encontrou mensagens no celular dele com outras mulheres.
Segundo a versão apresentada à polícia, Joviana tentou sair da residência. José Gustavo teria ido atrás dela e aplicado o golpe conhecido como “mata-leão”.
O corpo da estudante permaneceu no imóvel até segunda-feira.
Mensagens foram enviadas enquanto família procurava Joviana
Um dos elementos que deram maior repercussão ao caso foi o que aconteceu entre a morte de Joviana e a localização do corpo.
Segundo a investigação e relatos de familiares, José Gustavo teria utilizado o celular e as redes sociais da jovem para responder mensagens da mãe dela.
Nas conversas, foram apresentadas justificativas para explicar o desaparecimento. Entre elas, a alegação de que Joviana havia passado mal após ingerir bebida alcoólica e que teria conseguido um atestado para faltar ao trabalho.
Houve ainda mensagens carinhosas enviadas à mãe da vítima, como forma de indicar que Joviana retornaria para casa.
Com o passar das horas, a família percebeu diferenças na forma de escrever e inconsistências nas respostas.
Na segunda-feira, a irmã da jovem procurou a empresa onde Joviana trabalhava e descobriu que nenhum atestado havia sido apresentado.
A mãe decidiu então ir até a casa de José Gustavo.
Diante das informações desencontradas, a Polícia Militar foi acionada. Os policiais entraram na residência e encontraram o corpo de Joviana no quarto.
Família relata episódios anteriores de controle
Após o crime, familiares passaram a relatar situações ocorridas durante os meses de relacionamento.
Segundo a irmã de Joviana, havia ciúmes excessivos e tentativas de controlar o comportamento da jovem.
A família também afirma que, depois de um término no fim de julho, José Gustavo chegou a perseguir Joviana de motocicleta.
Essas informações correspondem aos relatos apresentados pelos familiares e ajudam a reconstruir o contexto do relacionamento. As circunstâncias do crime seguem sob investigação da Polícia Civil.
Defesa diz que mãe e avó não sabiam do crime
Outro questionamento surgido com a repercussão do caso envolve a permanência do corpo na residência onde José Gustavo vivia com a mãe e a avó.
Em nota assinada pelos advogados Jardel Soares Luciano e Emanoela Costa da Silva, a defesa afirma que as familiares não tiveram conhecimento prévio do ocorrido e não participaram de qualquer tentativa de ocultação.
“A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento”,
afirmam os advogados.
Segundo a defesa, a mãe de José Gustavo possui dificuldade auditiva. Os advogados também sustentam que manter o quarto fechado durante períodos de descanso já fazia parte da rotina do jovem.
“A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido”,
informa a manifestação.
A defesa afirma que, assim que souberam da situação, os familiares levaram José Gustavo à delegacia.
“Não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades”,
sustenta a nota.
Os advogados também manifestaram condolências à família e aos amigos de Joviana e afirmaram que os familiares do investigado não compactuam com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres.
Investigação continua em Santa Catarina
José Gustavo teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e permanece à disposição da Justiça.
O processo tramita sob segredo de justiça.
Ao comentar a apuração, a defesa sustenta que
“qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório”
e pede que não sejam antecipadas conclusões enquanto as investigações estão em andamento.
Os advogados afirmam ainda que não pretendem transformar a dor das famílias em uma disputa pública e que a defesa continuará atuando dentro dos limites estabelecidos pelo processo.
Enquanto a Polícia Civil busca esclarecer todas as circunstâncias do feminicídio, o caso ocorrido em uma cidade do Sul catarinense ultrapassou as fronteiras do estado e passou a ocupar o noticiário nacional.
A morte de Joviana também volta a colocar em evidência a violência contra mulheres em Santa Catarina e a importância de reconhecer sinais de controle, perseguição e violência dentro de relacionamentos.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem procurar a Polícia Militar pelo telefone 190 em situações de emergência. Denúncias e orientações também podem ser obtidas pela Central de Atendimento à Mulher, no número 180.


