A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Recidiva para cumprir um mandado de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão contra um empresário do setor de autopeças de Palhoça. Segundo a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV/DEIC), o investigado é suspeito de praticar, de forma reiterada, crimes de receptação de veículos e peças automotivas de origem ilícita, além de adulteração de sinais identificadores de veículos.
O nome da operação faz referência à reincidência do investigado, que, conforme a Polícia Civil, voltou a praticar crimes semelhantes mesmo após investigações anteriores, prisões e uma condenação pelos mesmos delitos.
Histórico de investigações e prisões
De acordo com a Polícia Civil, o empresário já havia sido preso em flagrante em 23 de fevereiro de 2023, durante a Operação 311. Na ocasião, os agentes localizaram parte de um motor com registro de apropriação indébita e diversas peças automotivas com sinais identificadores suprimidos em seu estabelecimento comercial.
Meses depois, em 9 de outubro de 2023, o local voltou a ser alvo de uma operação policial. Durante as diligências, foram encontrados um veículo com registro de roubo, placas veiculares, notebooks e aparelhos celulares. Todo o material foi apreendido e originou um novo inquérito policial, que permanece em tramitação.
Em 10 de junho de 2025, o empresário foi novamente preso em flagrante após ser abordado conduzindo um Citroën C3 clonado. Conforme a investigação, o automóvel apresentava chassi e numeração dos vidros pertencentes a outro veículo com registro de roubo. Ele foi autuado pelos crimes de receptação dolosa e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
O processo resultou em condenação, proferida em 16 de janeiro de 2026, à pena de quatro anos de reclusão, em regime inicial aberto, posteriormente substituída por penas restritivas de direitos.
Nova investigação apontou continuidade dos crimes
Mesmo após a condenação, a DFRV/DEIC afirma que o investigado continuou praticando delitos da mesma natureza.
Em maio de 2026, a delegacia instaurou um novo inquérito após o furto de um Fiat Siena, ocorrido em 19 de maio, em Biguaçu.
Segundo as investigações, o empresário utilizava um serviço terceirizado de guinchos para retirar veículos de locais ermos e com pouca circulação de pessoas, facilitando o transporte até um galpão utilizado para o desmanche clandestino.
Ainda conforme a Polícia Civil, o Fiat Siena furtado foi levado para um galpão pertencente à empresa do investigado, onde permaneceu em processo de desmanche até o dia 23 de maio.
Durante diligências realizadas em 25 de maio de 2026, novamente no âmbito da Operação 311, os policiais localizaram peças provenientes de veículos furtados e diversos componentes automotivos com sinais identificadores suprimidos. Na ocasião, a companheira do empresário foi presa em flagrante.
As investigações também apontam que o empresário teria determinado o desmanche do Fiat Siena e ameaçado a vítima para impedir que o caso fosse comunicado à Polícia Civil. O veículo foi localizado posteriormente em estado avançado de desmanche.
Justiça determinou prisão e fechamento da empresa
Com base nas provas reunidas durante a investigação, a autoridade policial representou pela prisão preventiva do investigado, pelo cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão e pela suspensão cautelar das atividades da empresa.
As medidas foram autorizadas pelo Poder Judiciário.
Em cumprimento à decisão, o estabelecimento foi fechado por determinação judicial. Paralelamente, a Prefeitura de Palhoça suspendeu o alvará de funcionamento da empresa, impedindo a continuidade das atividades comerciais.
Segundo a Polícia Civil, as ações desenvolvidas por meio da Operação 311 seguem contribuindo para identificar empresas utilizadas na receptação e no desmanche de veículos furtados e roubados, buscando enfraquecer a cadeia criminosa ligada a esse tipo de delito.


